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Fundo Ofi na corrida à Ascendi

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A venda parcial da Ascendi pela Mota-Engil poderá estar iminente. O fundo Ofi Asset Management anunciou que investirá em Portugal 430 milhões de euros

A declaração do presidente da gestora de fundos de investimento Ofi Asset Management, Gérard Bourret, de que o gigante francês tenciona investir em Portugal até 430 milhões de euros nos negócios de infraestruturas rodoviárias e energia renováveis, indicia que a operação de venda da Ascendi pela Mota Engil e Nova Banco poderá estar iminente.

A Ofi Asset Management tem 65 mil milhões de euros sob gestão, aplicados em mais de 20 fundos.

Segundo Gérard Bourret, o investimento em Portugal será realizado em parceria com mais dois fundos de private equity –Ardian e Swiss Life. Ora, o fundo Ardian sempre esteve na lista de potenciais interessados na Ascendi, depois de há um ano ter aplicado 300 milhões de euros na compra de posições em cinco concessões rodoviárias da operadora partilhada pela Mota-Engil (60%) e Novo Banco (40%).

Propostas entregues em janeiro

O calendário da operação da Ascendi apontava para a apresentação de propostas firmes até ao fim de janeiro pelos candidatos que constavam da short list organizada pelo Haitong Bank.

Analistas que seguem a Mota-Engil comentaram ao Expresso que a declaração da Ofi prenuncia que "uma novidade em relação à Ascendi poderá ser anunciada em breve". A operação permite ao conglomerado da família Mota deixar de estar associado à dívida da Ascendi e realizar um novo encaixe que lhe permite abater passivo.

Avaliações divergentes

As avaliações para a Ascendi são divergentes pela escassa informação disponível, mas no cálculo do valor da Mota-Engil os analistas entram com valores para o bloco de 60% entre os 200 e 300 milhões de euros.

A Mota-Engil pretende conservar uma posição na empresa, mas já se manifestou disponível para vender até 40% e ficar acionista minoritário. É provável que a nova composição acolha quatro ou cinco acionistas com participações iguais.

Para o conglomerado da família Mota, a aposta nas concessões deixou de fazer sentido no momento em que o negócio assumiu um caráter meramente financeiro, deixando de impulsionar o negócio da construção.

Além da Lusoponte e nove concessões de autoestradas em Portugal, a Ascendi participa em concessões em Espanha (duas), México, Brasil e Moçambique (Estradas do Zambeze).