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Brexit provocou “efeito tesoura” nos juros da dívida. Subidas nos periféricos do euro, descidas nos títulos refúgio

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No dia desta semana de maior pressão do Brexit, na quinta-feira, no prazo a 10 anos, os juros das Obrigações do Tesouro português subiram para quase 3,5%, e os juros das Bunds alemãs fixaram mínimo histórico em terreno negativo

Jorge Nascimento Rodrigues

O auge do risco de Brexit provocou, esta semana, no mercado secundário da dívida, um “efeito tesoura”, com as duas lâminas a afastarem-se o máximo a 16 de junho, no pico do pânico financeiro. As yields subiram nos periféricos do euro, entre eles Portugal, e desceram para mínimos históricos na Alemanha, Japão, Suíça e Reino Unido e para mínimos desde agosto de 2012 nos Estados Unidos.

O pico do risco de Brexit – de vitória do sim à saída do Reino Unido da União Europeia no referendo de 23 de junho, na próxima semana – ocorreu na quinta-feira passada, 16 de junho, precisamente uma semana antes da ida às urnas, e abrandou, depois, esta sexta-feira, com a repercussão do assassinato da deputada britânica Jo Cox. Os analistas dos mercados financeiros admitem que tenha ocorrido, então, um “ponto de inflexão”, nas palavras de Marc Chandler, e que as probabilidades do Brexit desçam, ainda que tenha sido adiada a divulgação de sondagens.

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, subiram 21 pontos base durante a semana, tendo fechado em 3,31% esta sexta-feira. Chegaram a registar 3,49% durante a sessão de quinta-feira. A Grécia liderou as subidas semanais naquele prazo; as yields das obrigações helénicas saltaram de 7,5% a 10 de junho para 8,16% a 17 de junho, apesar do Eurogrupo e da Comissão Europeia terem dado por concluído o primeiro “exame” no âmbito do terceiro resgate e dado luz verde para o Mecanismo Europeu de Estabilidade desembolsar a primeira parte de 7,5 mil milhões de euros da segunda tranche. No caso das yields das obrigações espanholas, irlandesas e italianas, as subidas variaram entre 11 e 12 pontos base. Em 16 de junho, as yields das obrigações espanholas chegaram a 1,6%, das italianas a 1,5% e das irlandesas a 0,9% (neste caso, um nível que já não se observava desde a crise grega de fevereiro).

O prémio de risco das dívidas dos periféricos subiu. O prémio para Portugal aumentou 18 pontos base e fechou em 329,2 pontos base, um diferencial de quase 3,3 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã. Fechou num máximo de 18 semanas. O maior aumento semanal registou-se para a Grécia.

Alemanha entra e sai do “clube” dos juros negativos a 10 anos

O pânico gerado pelo risco de Brexit – percecionado com sondagens sucessivas dando uma vantagem clara à opção de saída do Reino Unido da UE – levou a uma corrida a títulos seguros por parte dos investidores, o que gerou descidas significativas nas yields das obrigações a 10 anos de algumas das principais economias desenvolvidas.

Em quatro casos, a descida originou a fixação de mínimos históricos no prazo a 10 anos; num dos casos, o da Alemanha, as yields das Bunds (designação alemã) entraram em terreno negativo pela primeira vez na história, se se descontar o período excecional de hiperinflação em 1922 e 1923.

As yields das Bunds a 10 anos desceram de 0,021% a 10 de junho para um mínimo histórico de -0,038% registado durante a sessão de 16 de junho, mas fecharam a semana, de novo, em terreno positivo, registando 0,016%.

As yields das obrigações japonesas e suíças a 10 anos fixaram novos mínimos históricos em terreno negativo durante a sessão de 16 de junho, caindo para -0,202% e -0,534% respetivamente. Fecharam a semana em -0,147% para as obrigações nipónicas e -0,494 para as obrigações helvéticas. No prazo a 10 anos, as yields estão em terreno negativo desde 24 de fevereiro deste ano para o Japão e desde julho do ano passado para a Suíça.

No caso das próprias obrigações britânicas, conhecidas pela designação de Gilts, as yields no prazo a 10 anos desceram para um mínimo histórico de 1,072% durante a sessão de 16 de junho, tendo fechado a semana em 1,14%, nove pontos base abaixo do encerramento a 10 de junho.

As yields das obrigações do Tesouro norte-americano no prazo a 10 anos desceram para 1,52% a 15 de junho, um mínimo desde agosto de 2012, e fecharam em 1,61%, três pontos base abaixo do encerramento a 10 de junho.

O risco de Brexit foi sublinhado pelos três bancos centrais mais importantes que realizaram reuniões de política monetária esta semana – a Reserva Federal norte-americana, o Banco do Japão e o Banco de Inglaterra.