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Questões sobre limites nos salários dos gestores da Caixa têm origem em “pressupostos de uma ideologia comunista”

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ANTÓNIO COTRIM / LUSA

Santana Lopes questiona a necessidade de a Caixa Geral de Depósitos vir a ter uma administração de 19 indivíduos, tendo em conta a qualidade apregoada de António Domingues. E congratula o PS pelo fim dos limites salariais para os gestores

“Já quase não se ouve ninguém defender a ideologia comunista, mas às vezes, nomeadamente em Portugal, há umas tentativas de ir buscar alguns dos seus pressupostos”, escreveu Pedro Santana Lopes, sobre a oposição que existiu dos partidos à esquerda do PS ao fim do limite dos tetos salariais para gestores da Caixa.

Num artigo de opinião com o título “A ‘governance’ da Caixa”, publicado no “Jornal de Negócios” esta quinta-feira, o ex-líder social-democrata defende que se deve “pagar muito melhor aos que são muito melhores do que a média”. Por isso, o PS teve razão em avançar com essa medida.

Mesmo apontando primeiro o dedo a questões ideológicas que possam ter estado no meio dessa discussão, Santana Lopes mostra-se cético logo a seguir quanto à existência de tal coisa. “Já ninguém ousa defender quase ideologia nenhuma, perante o que se vai vendo nessa matéria todos vão disfarçando.”

O social-democrata questiona ainda a necessidade a Caixa Geral de Depósitos vir a ter uma administração de 19 indivíduos, tendo em conta a qualidade apregoada de António Domingues. “Os sinais são cada vez mais importantes, quando a Caixa precisa de 2, 3 ou 4 mil milhões de euros (também há muitas opiniões diferentes nesta matéria) vamos fazer um conselho de administração enorme?”

“Estou razoavelmente convencido de que as indefinições e os erros no modelo de governação da CGD são duas das razões para os resultados que se conhecem. Independentemente, do mérito de muitas pessoas que têm integrado os diferentes conselhos de administração”, escreve, lembrando a sua curta passagem pelo lugar de primeiro-ministro, em que teve de substituir dois dirigentes da instituição bancária.