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Novo Banco avança mesmo com despedimento coletivo de 56 trabalhadores

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nuno botelho

Comissão de trabalhadores diz que Novo Banco interrompeu "abruptamente as negociações"

Expresso

A comissão de trabalhadores do Novo Banco, num comunicado enviado às redações, acusa a administração da instituição financeira de ter interrompido as negociações e, desta forma, dar como certo o despedimento coletivo, de forma unilateral, de 56 trabalhadores. Segundo a comissão de trabalhadores, o Novo Banco interrompeu “abruptamente as negociações”.

O despedimento de 56 trabalhadores era uma vontade já assumida pela gestão do banco, liderada por Eduardo Stock da Cunha. De acordo com o comunicado divulgado, a comissão assume: "Continuamos a ser fortes opositores ao despedimento colectivo, pois é nosso entendimento que não foram esgotadas outras formas possíveis de redução de trabalhadores, tais como: reformas antecipadas, rescisões de contrato de forma voluntária e por mútuo acordo, pré-reformas ou mesmo redução do horário de trabalho".

Os 56 trabalhadores integrados neste despedimento coletivo recusaram a rescisão por mútuo acordo proposta pela administração do Novo Banco. Dada a sua recusa, foi iniciado o processo de despedimento coletivo.

O Expresso contactou o Novo Banco, mas não foi possível obter nenhuma declaração sobre o tema. Mas o despedimento coletivo destes 56 trabalhadores (mais outros 13 de outras empresas do grupo) já tinha sido assumido pela administração do Novo Banco em meados de maio.

Na semana passada, o Novo Banco foi obrigado a reintegrar, depois da decisão do Tribunal do Trabalho do Porto, um dos trabalhadores, depois de ter impedido o acesso dos 56 trabalhadores ao local de trabalho.

Este processo, que está a ser acompanhado pela Autoridade para as Condições do Trabalho, já foi discutido na Assembleia da República. A comissão de trabalhadores critica, aliás, a postura do Governo para com o processo de despedimento coletivo. “Lamentamos o alheamento quase total do Governo e das forças politicas deste país, em todo o processo da redução de trabalhadores no Novo Banco. Estamos perante um banco que pode ser considerado estatal, já que tem uma ajuda do Estado de 3,9 milhões de euros, pelo que não entendemos como é que o Governo não se opôs e não mandou travar de imediato este procedimento", dizem em comunicado.

O Novo Banco assumiu o compromisso, perante a Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia, de reduzir o quadro de pessoal em 1000 trabalhadores, poupando 150 milhões de euros. De acordo com o relatório e contas do primeiro trimestre do Novo Banco, neste período saíram 436 funcionários. Em 2015, já haviam saído 411 trabalhadores.