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Bolsas regressam ao vermelho na Ásia e Europa

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Depois do colapso em Nova Iorque no final da sessão de quarta-feira, a Ásia Pacífico já fechou em terreno negativo esta quinta-feira e a Europa está a seguir a mesma tendência na abertura. Risco de Brexit apontado pela Fed e possibilidade de deflação este ano no Japão alimentam sentimento pessimista

Jorge Nascimento Rodrigues

O colapso na última meia hora de negociação em Nova Iorque no dia anterior, a recusa do Banco do Japão em avançar esta quinta-feira com novos estímulos monetários, apesar de inflação nipónica poder ser negativa ou perto de 0%, e a terceira rejeição de integração das ações de tipo A chinesas (denominadas em moeda local nas duas bolsas de Xangai e Shenzhen) no índice MSCI para os mercados emergentes empurraram hoje as praças financeiras da Ásia Pacífico para terreno negativo.

O preço do barril de petróleo de Brent, a referência internacional, continua em queda pela sexta sessão consecutiva depois de ter chegado a um pico de 52,8 dólares na sessão de 8 de junho. Depois de ter fechado em 48,65 dólares na quarta-feira, caiu para 48,50 dólares pelas 8h (hora de Portugal e de abertura dos mercados financeiros na Europa).

O índice Nikkei 225 da bolsa de Tóquio liderou as quedas desta quinta-feira na Ásia, com uma descida de 3,05%. Em 12 sessões em junho, este índice fechou no vermelho em oito e acumulda uma quebra de 10% desde o início do mês. O índice Hang Seng da bolsa de Hong Kong recuou 2,14%. Os outros principais índices da região registaram quebras inferiores.

As yields das obrigações nipónicas a 10 anos desceram para -0,201% ao final da manhã em Tóquio, fixando um novo mínimo histórico em terreno negativo. Apenas três países registam atualmente taxas negativas no prazo a 10 anos: Alemanha (desde esta semana), Japão e Suíça.

A Europa abriu esta quinta-feira em terreno negativo com os índices MIB de Milão e Dax de Frankfurt a liderarem as quedas, com descidas de 1,6%. O índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas na zona euro) abriu a perder 1,6%. Na bolsa de Lisboa, o índice PSI 20 iniciou a sessão a recuar 0,25%. Os títulos do BCP continuam a liderar as quedas.

Na quarta-feira, a Ásia Pacífico e a Europa fecharam em terreno positivo, com os índices MSCI respetivos a subirem 0,36% e 1,18%. As bolsas de Nova Iorque inverteram a tendência positiva e fecharam a perder 0,16%, depois dos investidores "digerirem" as decisões da reunião da Reserva Federal norte-americana (Fed).

O risco de Brexit (vitoria do sim à saída do Reino Unido da União Europeia no referendo de 23 de junho) continua a dominar os mercados financeiros. Esta quinta-feira aguarda-se a decisão de política monetária do Banco de Inglaterra e a sua apreciação sobre os impactos do referendo britânico.

Desapontamentos na Ásia

A MSCI, a maior empresa fornecedora de índices bolsistas, recusou na quarta-feira, pela terceira vez em três anos, integrar as ações tipo A - denominadas em moeda local - das duas bolsas chinesas de Xangai e Shenzhen no seu índice para os mercados emergentes. Apesar da MSCI reconhecer o “claro empenho” de Beijing, os investidores internacionais continuam a apontar problemas de regulação do mercado e de acesso dos investidores estrangeiros àquele tipo de ações. O impacto desta rejeição poderá gerar mais saídas de capital dos mercados financeiros chineses.

Esta quinta-feira, o comité de política monetária do Banco do Japão decidiu, por esmagadora maioria, não mexer nas taxas de juro e no programa qualitativo e quantitativo de estímulos, apesar de reconhecer que as exportações nipónicas vão aumentar moderadamente e que a inflação anual poderá ficar em terreno negativo ou perto de 0% em 2016. Os banqueiros centrais japoneses sublinharam que continua adiada a alteração da “mentalidade deflacionária” na economia do país. Alguns analistas esperavam que o Banco do Japão comunicasse alguma indicação de que avançaria com mais estímulos monetários. O resumo das opiniões expressas pelos nove membros do conselho de governadores só será divulgado dia 24 de junho e as atas só verão a luz do dia a 3 de agosto.

Estes desapontamentos “regionais” somam-se à comunicação de incerteza por parte da Fed após a sua reunião de terça e quarta-feira, tendo decidido não proceder a uma nova subida das taxas de juro e com as probabilidades implícitas nos mercados de futuros daquelas taxas a apontarem para nenhuma subida este ano.