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Portugal coloca €1000 milhões pagando mais

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O IGCP regressou esta quarta-feira ao mercado da dívida com duas emissões de Bilhetes do Tesouro tendo pago mais aos investidores do que em emissões anteriores. mas registando uma procura mais elevada

Jorge Nascimento Rodrigues

O Tesouro português colocou esta quarta-feira 1000 milhões de euros em dívida de curto prazo, através de dois leilões de Bilhetes do Tesouro (BT) com vencimentos em setembro de 2016 e maio de 2017, pagando uma taxa média ponderada de remuneração mais elevada do que nas emissões anteriores daquelas linhas de BT, mas registando uma procura superior.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) colocou 245 milhões de euros em BT com vencimento em setembro deste ano – dívida a três meses -, pagando uma taxa de 0,075%, quando na emissão anterior havia pago 0,009%. No entanto, a procura foi 2,6 vezes a colocação, um rácio mais elevado do que na operação anterior, quando registou 2,1. Se comparada com a última emissão de dívida a três meses, da linha de BT que vence em julho de 2016, e realizada em abril, a subida da taxa foi ainda mais acentuada, pois passou de uma taxa negativa, de -0,004%, para 0,075% agora.

O IGCP colocou, ainda, 755 milhões de euros em BT com vencimento em maio de 2017 – dívida a 11 meses -, pagando uma taxa de 0,146%, superior à registada na operação anterior, de 0,043%. A procura foi hoje ligeiramente superior à registada na operação similar anterior: 1,6 vezes a colocação face a 1,5 vezes anteriormente.

A subida das taxas nestes leilões de dívida de curto prazo reflete o mesmo padrão do que está a suceder na dívida de médio e longo prazo, com a subida das taxas de juro nas emissões, e das yields no mercado secundário, nos periféricos do euro em virtude do stresse provocado pelo risco de Brexit e da crescente crítica à política monetária do Banco Central Europeu. No entanto, no caso português, “a capitalização da CGD e a fragilidade da banca, como o comportamento do BCP em bolsa, podem estar a aumentar a perceção de risco do nosso país”, refere Filipe Silva, diretor de Gestão de Ativos do Banco Carregosa. Contudo, a procura tem-se mantido elevada, pois “a dívida portuguesa continua a ser uma alternativa para os investidores que procuram algum retorno, uma vez que nos países com menos risco as taxas de curto prazo estão negativas”, refere, ainda, aquele analista.

  • O contágio do risco de Brexit fez recordar esta terça-feira o contágio de Grexit de fevereiro deste ano. Prémio de risco das dívidas dos periféricos em alta. Juros da dívida portuguesa a 10 anos sobem para 3,4%, um nível que não se registava desde início de abril. Juros das obrigações alemãs a 10 anos em terreno negativo