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Porto. Economia ganha sotaque tecnológico

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Rui Duarte Silva

Câmara do Porto apresenta dois novos projetos e lança a associação TechHub para estar na Liga dos Campeões na atração de investimento de base tecnológica

Se a presença de empresas de base tecnológica fez de Braga a Silicon Valey portuguesa, o Porto promete rivalizar com a cidade minhota e tornar-se um polo de atração de relevantes operadores do admirável mundo digital. A economia da Invicta ganha um novo sotaque, com pronúncia tecnológica.

Esta quarta-feira à tarde, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, voltou ao Porto para conferir dimensão nacional à cruzada do autarca Rui Moreira. Na Câmara do Porto, o ministro presidiu a uma sessão que combinou o anúncio de dois novos projetos de expansão (Critical Software e Blip) com a apresentação de uma nova associação privada, a Porto. TechHub.

Promover o Porto como destino tecnológico

E qual a finalidade da Porto. TechHub? Promover o Porto como destino tecnológico e contribuir para um ecossistema favorável a novos negócios que estimule o empreendedorismo de base tecnológica.

A ambição da parceria está ancorada no prestígio e dimensão dos fundadores. A Farfetch, o império digital de moda de luxo avaliado em 1,3 mil milhões de euros, com sede em Londres e bases em Guimarães e Matosinhos, a Critical Software, que concebe soluções para sistemas de informação e validou o software de 20 missões espaciais, e a Blip, a sucursal portuguesa que assegura as aplicações para o gigante do jogo online Paddy Power Betfair.

Em comum, as três empresas fundadoras têm o seu carácter global, a relevância nos respetivos negócios e terem uma origem portuguesa.

O primeiro presidente da associação será Paula Costa, em representação da Blit. Uma conferência internacional ("Inovação e Tecnologia") em setembro que mobilizará 750 participantes é uma das ações que ajudará a pôr o Porto "no mapa europeu da excelência".

Atrair investimento

A sessão desta quarta-feira serviu para reforçar a cumplicidade entre Rui Moreira e Caldeira Cabral. Rui Moreira classificou a iniciativa “de enorme relevância para a prosperidade da cidade e da região”. O ministro diria que a filosofia da Câmara do Porto é “um exemplo feliz de como fazer políticas públicas”, porque “não cabe ao Estado substituir-se ao papel dos privados, mas sim facilitar a vida às empresas e criar um ambiente favorável ao investimento”.

Rui Moreira realçou que o Porto “está na primeira linha das cidades europeias na atração de investimento de elevado valor acrescentado”, beneficiando "de um vibrante ecossistema" que conta com 100 centros de investigação e combina a inovação com o empreendedorismo. O autarca disse que, nas várias frentes, estão em curso 50 investimentos na cidade, metade de origem externa, que representam 7500 novos empregos.

O ministro elogiou o Porto como "cidade criativa em muitos domínios" e que o ministério que dirige acarinha todas as iniciativas que visem "criar valor pela tecnologia e inovação", valorizando o talento português. A concorrência externa é forte, "mas Portugal tem registado sucesso na atração de de multinacionais", como provam os casos recentes da Bosch (Braga), Altice (Aveiro) ou Euronext (Porto).

Blit troca Dublin pelo Porto

Agora, os projetos de expansão. Com a Blit, o Porto torna-se no principal núcleo de desenvolvimento das plataformas tecnológicas que suportam as apostas desportivas do gigante britânico Paddy Power Betfair, que fatura 1,5 mil milhões de euros por ano.

A empresa já fornecia a Betfair, que a comprara em 2012, mas a fusão com a Paddy Power força um reforço de competências e de pessoal. A expansão tem um efeito virtuoso no emprego, com 60 contratações. A comunidade laboral sobe para 310 pessoas.

Com a reorganização após a fusão, no fim de 2015, a multinacional decidiu transferir de Dublin para o Porto o centro tecnológico da Paddy Power. Todos os sites e aplicações móveis das apostas desportivas serão desenvolvidos por engenheiros portugueses.

E como se explica a opção pelo Porto? "É a competência técnica que temos. Somos concorrenciais em termos de custos salariais, mas sem qualidade o investimento não vinha para cá", responde Hélder Martins, o diretor-geral que gere um orçamento anual de 15 milhões de euros.

Em 2012, a Blip empresa empregava apenas 40 pessoas e desde então já induziu 30 milhões de euros de investimento estrangeiro.

Um segundo efeito da expansão reside na mudança de instalações. A Blip vai deixar o edifício Trindade Domus, junto à Câmara Municipal, e muda-se para um edifício em fase de reabilitação na zona do Bonfim, também no centro da cidade. A área de trabalho duplica para 5000 metros quadrados.

Critical Software expande

Por sua vez, a Critical Software deixa o TecMaia (que recebe outra sociedade do grupo) e transfere-se para a Baixa do Porto, ocupando quatro pisos do antigo edifício da EDP Renováveis, com vista para a estação da Trindade.

A empresa prevê duplicar para 200 empregados do seu atual quadro de pessoal. O espaço disponível permite acomodar o crescimento da actividade e o reforço de colaboradores.

Gonçalo Quadros, o líder da Critical Software, acredita que a mudança para a Baixa do Porto aumentará "a visibilidade da empresa, que se revela um pólo de geração e crescimento de negócios na área tecnológica". A proximidade das principais universidades é um fator essencial para empresas que procuram talento e quadros qualificados.

O gestor acredita que a Critical funcionará com uma nova âncora da cidade e que esta transferência "torna a empresa mais forte e concede uma nova energia" à sua comunidade laboral.