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Futuro da Oi em discussão esta quarta-feira

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O conselho de administração da Oi, onde estão presentes quatro administradores da Pharol, discutem esta quarta-feira a solução para a gigantesca dívida da operadora brasileira. Em cima da mesa está também a redução da posição dos acionistas portugueses

A proposta para a reestruturação da dívida dos credores internacionais da Oi, representados pelo banco norte-americano Moelis, e que terá estado na origem da renúncia de Bayard Gontijo da presidência da operadora brasileira, está esta quarta-feira em discussão no conselho de administração da empresa, a decorrer no Rio de Janeiro. A proposta ainda não foi tornada pública, porém segundo várias fontes contactadas pelo Expresso passa por converter dívida em capital e por um tratamento diferenciado dos vários tipos de obrigacionistas, incluindo os da antiga PT. A dívida da Oi ascende a 52 mil milhões de reais e está em reestruturação.

A Bloomberg noticiou que a solução proposta pela Moelis passa por converter cerca de 25 mil milhões de reais de dívida (€6,4 mil milhões) em ações denominadas em moeda estrangeira, por forma a aumentar a posição dos credores para entre 85% a 90% do capital total da Oi. Uma prosposta que a Pharol, hoje maior acionista da operadora brasileira, com mais de 27% do capital, considera inaceitável, apurou o Expresso, já que a sua posição iria reduzir-se para menos de 2%. A Pharol não concorda também, ao que tudo indica, com o tratamento diferenciado dos obrigacionistas.

Nem a Oi, nem a Pharol quiserem confirmar a reunião do conselho de administração da operadora brasileira. Escusaram-se também a revelar o conteúdo da proposta da Moelis.

Bayard Gontijo, o gestor que substituiu Zeinal Bava na liderança da Oi, pediu a renúncia do cargo na passada quarta-feira, na sequência de uma discussão informal da proposta da Moelis. A Pharol foi um dos acionistas que não se opos à saída do substituto de Zeinal. Gontijo foi substituído por Marco Schroeder, administrador para a área financeira e administrativa da Oi, e um conhecedor da Portugal Telecom. Schroeder foi o administrador da Oi que ficou em Lisboa até à conclusão da compra da PT Portugal pela Altice.

O comunicado da Oi não esclareceu as razões que terão levado Gontijo a apresentar a sua demissão da presidência da Oi, porém notícias divulgadas na imprensa brasileira avançaram que a saída estará relacionada com divergências face à solução para a dívida, que terá enfrentado resistência do conselho de administração, apontando a responsabilidade para o acionista português, a Pharol.

A Pharol tornou-se acionista da Oi na sequência da fusão entre a operadora brasileira e a PT. Um processo de consolidação que acabou por não acontecer depois de conhecido o investimento desastroso de 897 milhões de euros da PT na Rioforte, empresa do Grupo Espírito Santo.