Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Banco central norte-americano não mexe nas taxas de juro

  • 333

O Comité de Política Monetária da Reserva Federal decidiu por unanimidade não proceder a uma subida das taxas de juro, que se encontram, desde dezembro passado, no intervalo entre 0,25% e 0,5%. Atenção dos mercados financeiros vira-se para a conferência de imprensa daqui a meia hora

Jorge Nascimento Rodrigues

O Comité de Política Monetária da Reserva Federal norte-americana (Fed) decidiu esta quarta-feira não mexer no quadro das taxas de juro, adiando, uma vez mais, uma nova subida dessas taxas. A decisão era esperada pelos analistas e está em linha com as probabilidades implícitas que derivavam dos futuros das taxas de juro.

A novidade é que a decisão foi tomada por unanimidade, quando, nas duas reuniões anteriores de março e abril, se manifestara um banqueiro central a favor de uma subida, no caso a presidente da Fed de Kansas City, Esther George.

Outro ponto a destacar é o facto de seis membros da Fed que participam nas projeções macroeconómicas - que envolvem 17 participantes, os 5 membros do conselho de governadores e os 12 presidentes dos bancos regionais do sistema da Reserva Federal - só preverem uma única subida das taxas de juro este ano, apesar de continuarem a ser apontadas duas subidas nas previsões médias do conjunto. Na reunião de março, apenas um participante nas projeções previa uma única subida, enquanto sete apontavam para três ou mais subidas este ano.

As probabilidades implícitas de uma subida, derivadas dos futuros das taxas de juro, apontavam, esta tarde, antes da divulgação da resolução, para 54% apenas na reunião de 14 de dezembro. Nas próximas três reuniões, de julho, setembro e novembro, as probabilidades variavam entre 21% e 36%. Depois de conhecida a resolução de hoje, as probabilidades para todas as reuniões que faltam realizar baixaram, e só se mantêm em 50% para o caso de dezembro.

A Fed considerou, agora, em junho, que, apesar a taxa de desemprego ter baixado, os ganhos em postos de trabalho criados diminuíram. A melhoria do mercado de trabalho é “lenta”. A formação bruta de capital fixo, o investimento, continua “suave”, diz, também, o documento da Fed, que, nas suas Projeções Económicas hoje divulgadas, e baseadas nas previsões dos participantes, reviu em baixa o crescimento do PIB para 2016 de 2,1 a 2,3% para 2 a 2,18%. A taxa final dos juros numa perspetiva longa foi revista em baixa de 3,3%, na reunião anterior, para 3%, agora.

O comunicado não faz qualquer referência ao risco de Brexit.

As atenções viram-se, agora, para a conferência de imprensa da presidente da Fed, Janet Yellen.