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BPI está sob ameaça de “trapalhada jurídica”, diz maior acionista português

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Nuno Fox

Tiago Violas Ferreira, maior acionista português do BPI, defende que a CMVM deve apontar um auditor independente para fixar o preço da oferta pública de aquisição do CaixaBank, e assume não se manter como acionista do banco, caso tudo avance como está previsto

O diploma que permite a desblindagem “é inconstitucional” e o fim do limite de votos pode criar uma “trapalhada jurídica”, diz Tiago Violas Ferreira, CEO da Holding Violas Ferreira, que tem 2,7% do BPI, em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta quarta-feira.

“Esta oferta de aquisição pública (OPA) como está não pode acontecer. Será uma OPA obrigatória. Uma das condições de viabilidade da OPA é a desblindagem dos estatutos, o que a ocorrer implica necessariamente que os direitos de voto do CaixaBank sejam superiores a um terço, o que obriga ao lançamento de uma OPA obrigatória”, disse.

Para Tiago Violas Ferreira, maior acionista português do BPI, a CMVM deve apontar um auditor independente para fixar o preço da oferta pública de aquisição do CaixaBank, como está previsto na lei. “Em caso de desblindagem, o 1,113 euros por ação é nitidamente uma avaliação insuficiente. Não incorpora qualquer prémio de controlo ou partilha de sinergias com os pequenos acionistas, pelo contrário, é de apenas 66% dos capitais próprios. Este valor é a média dos 6 meses prévios ao anúncio e não tem em conta a desblindagem dos estatutos e nem é representativo do valor da sociedade, pela reduzida liquidez do título. (…) Por último, a OPA revela um oportunismo, em relação às ameaças de sanções pelo BCE, cuja responsabilidade é muitíssimo mais imputável ao maior acionista que aos pequenos acionistas. Seria uma enorme injustiça o seu aproveitamento para benefício próprio”, disse.

O CEO da HVF assume ainda não se manter como acionista do CaixaBank Portugal caso a OPA e a desblindagem avancem como estão previstas. “Primeiro, a nossa posição deixava de ter liquidez pois da mesma forma que nós não queremos ser acionistas de uma filial, ninguém quer. Segundo, ficaríamos à mercê das vontades de consolidação de 100% em Espanha. Terceiro, porque o projeto BPI deixaria de existir, e nesse caso gostaríamos de voltar a ajudar a erguer um projeto de banca português”, justificou.