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Maré vermelha nas bolsas. Volatilidade dispara

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Bolsas mundiais fecharam no vermelho pela quarta sessão consecutiva. Lisboa entre as seis maiores descidas desta terça-feira. Títulos do BCP e da Sonae caíram 4,5%. Volatilidade na Europa está ao nível da crise de fevereiro

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais voltaram a fechar em terreno negativo pela quarta sessão consecutiva. Esta terça-feira, o índice MSCI global caiu 0,92%. Desde o início do mês, este índice para o conjunto das 46 principais praças financeiras em todo o mundo desenvolvido e emergente recuou 2,43%.

A “região” da Ásia Pacífico perdeu esta terça-feira 0,7%, segundo o índice MSCI respetivo. Desde o início de junho, já recuou 2%. O índice Nikkei 225, de Tóquio, a principal bolsa da região e a terceira à escala mundial, acumula perdas de 6% desde 9 de junho.

Europa já afundou quase 7% desde início de junho

Na Europa, 10 bolsas perderam hoje mais de 2%, incluindo cinco praças das mais importantes – Amesterdão, Londres, Madrid, Milão e Paris. As bolsas europeias, no seu conjunto, estão há cinco sessões consecutivas no vermelho. O índce MSCI para esta "região" perdeu esta terça-feira 2,69%, a maior queda diária nas últimas cinco sessões. Desde o início do mês, caiu 6,93%, liderando, distanciadamente, as perdas à escala mundial. A Europa é a "região" de pior desempenho em junho.

A volatilidade ligada ao índice Eurostoxx 50 (índice das 50 principas cotadas da zona euro) fechou em 38 euros, o mesmo nível que registou no fecho da “quinta-feira negra” de 11 de fevereiro deste ano, aquando do contágio grego. Subiu hoje 11,6%. A variação deste índice de uma semana para a outra é de 64%.

O pico de volatilidade nos últimos quatro anos ocorreu a 24 de agosto de 2015, quando aquele índice fechou em 41 euros, e a bolsa de Xangai registou a segunda maior derrocada daquele ano. O índice de volatilidade é também conhecido como índice de pânico financeiro. Um pânico similar ao do verão do ano passado já não se observava desde o segundo semestre de 2011, então, na sequência do agravamento da crise da dívida grega e da crise do teto da dívida federal norte-americana com a perda de notação de triplo A.

Lisboa e Milão lideram quedas mensais na Europa

A bolsa de Lisboa, cujo índice PSI 20 recuou 2,3%, situou-se esta terça-feira entre as seis com maiores quedas no mundo com perdas acima de 2% – Copenhaga, que liderou com uma descida de 3,7% do índice OMXC20, Moscovo (o índice RTSI, denominado em dólares), Lisboa (PSI 20), Paris (Cac 40), Amesterdão (Aex) e São Paulo (IBovespa). Em Lisboa, os títulos da Sonae e do BCP caíram 4,5%, liderando as perdas.

Em 10 sessões do mês de junho, o PSI 20 fechou no vermelho em oito. A maior queda diária registou-se, esta semana, a 13 de junho. Desde o início do mês, este índice já perdeu 10%, uma das duas maiores quebras europeias, a par da registada com o índice MIB da bolsa de Milão.

Em destaque pela negativa nestas duas bolsas europeias têm estado títulos bancários. Em Milão, quatro bancos lideram as quedas bolsistas mensais - Banco Popolare, UBI, Banca di Milano e Unicredit. Em Lisboa, o BCP está à frente com uma quebra desde início de junho de 37%.

Brexit alimenta pânico financeiro

O risco de Brexit, de vitória do sim à saída do Reino Unido da União Europeia no referendo de 23 de junho, está a determinar a “psicologia do mercado” e a alimentar um disparo do pânico financeiro. Segundo o "Financial Times", as quatro sondagens divulgadas na segunda-feira dão vantagens folgadas à opção de Brexit.

O início do verão de 2016 está a ser marcado por aquele risco, afastada que foi a possibilidade de um incumprimento da Grécia face ao Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu graças ao Memorando de Entendimento adicional entre o governo de Atenas e os credores europeus oficiais.

Nova Iorque fechou no vermelho, com o Dow Jones 30 a perder 0,33%, o S&P 500 a recuar 0,17% e o Nasdaq (da bolsa das tecnológicas) a descer 0,10%. As bolsas dos Estados Unidos estão a cair pela quarta sessão consecutiva. O índice MSCI para os Estados Unidos caiu esta terça-feira 0,17%. As perdas desde o início de junho são ligeiramente inferiores a 1%.

Segundo fontes que mantiveram o anonimato, citadas esta terça-feira pela Reuters, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco de Inglaterra (BoE) garantem que farão “tudo o que for necessário” para manter a liquidez adequada nos mercados financeiros no caso de uma vitória do Brexit, procurando evitar o agravamento do pânico financeiro O presidente do BCE e o governador do BoE, juntamente com outros responsáveis de bancos centrais europeus, reunir-se-ão a 23 de junho, no próprio dia do referendo britânico. No fim de semana seguinte, realiza-se a reunião anual do Banco de Pagamentos Internacionais em Basileia, na Suíça, onde estarão presentes os banqueiros centrais do mundo. Nesse domingo decorrem as eleições legislativas em Espanha.

  • O contágio do risco de Brexit fez recordar esta terça-feira o contágio de Grexit de fevereiro deste ano. Prémio de risco das dívidas dos periféricos em alta. Juros da dívida portuguesa a 10 anos sobem para 3,4%, um nível que não se registava desde início de abril. Juros das obrigações alemãs a 10 anos em terreno negativo