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Juros da dívida portuguesa sobem para níveis de há dois meses

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O contágio do risco de Brexit fez recordar esta terça-feira o contágio de Grexit de fevereiro deste ano. Prémio de risco das dívidas dos periféricos em alta. Juros da dívida portuguesa a 10 anos sobem para 3,4%, um nível que não se registava desde início de abril. Juros das obrigações alemãs a 10 anos em terreno negativo

Jorge Nascimento Rodrigues

O prémio de risco da dívida portuguesa fechou esta terça-feira em 339 pontos base, um nível que já não se observava desde início de fevereiro deste ano quando se desenvolveu a terceira crise de risco de Grexit (saída da Grécia da zona euro). Esse prémio de risco significa que há um diferencial de 3,39 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência na zona euro.

O máximo de 2016, até à data, registou-se a 11 de fevereiro, quando o risco da dívida portuguesa fechou em 375 pontos base, refletindo a convergência do pico da crise grega e o descontentamento nos meios internacionais com a decisão do Banco de Portugal em transferir dívida sénior do Novo Banco para o “banco mau” do BES.

Essa “quinta-feira negra” de fevereiro, com o contágio grego, abrangeu não só a dívida portuguesa, mas, também, as dívidas espanhola e italiana, que atingiram, nessa data, picos do ano.

Esta terça-feira, o mercado da dívida dos periféricos do euro foi contagiado fortemente pelo risco de Brexit (de uma vitória do sim à saída do Reino Unido da União Europeia no referendo de 23 de junho). A trajetória nos restantes periféricos foi similar à portuguesa.

O prémio de risco da dívida espanhola fechou hoje em 157,5 pontos base próximo de 160 registado a 11 de fevereiro deste ano. No caso da dívida italiana, o prémio subiu hoje para 144,6 pontos base, ainda a alguma distancia do pico de 153 pontos base em fevereiro. O prémio para a dívida irlandesa fechou em 84,3 pontos base, um nível que já não se observava desde fevereiro de 2015. No caso grego, o prémio subiu para 821 pontos base, um disparo de 40 pontos base em relação ao fecho do dia anterior, apesar do Eurogrupo e do Mecanismo Europeu de Estabilidade deverem aprovar na quinta-feira a conclusão do primeiro “exame” ao terceiro resgate e o desembolso da primeira parte da segunda tranche.

Taxas da dívida na zona euro em tesoura

O risco de Brexit tem acentuado, no mercado secundário da dívida, as trajetórias divergentes nas yields das obrigações das economias do centro do euro e nas respeitantes aos periféricos, incluindo a própria Irlanda. A visualização dos dois movimentos divergentes é semelhante a uma tesoura com as duas laminas abertas.

No caso da dívida soberana a 10 anos, o prazo de referência, as yields das economias do centro estão em queda em direção a zero por cento ou mesmo terreno negativo (como foi esta terça-feira o caso das obrigações alemãs pela primeira vez na história), enquanto as yields dos países periféricos registam subidas, mais acentuadas para a Grécia, Portugal e Espanha.

As yields das Obrigações do Tesouro português, no prazo de referência, fecharam esta terça-feira a subir para 3,39%, um aumento de 17 pontos base em relação ao fecho do dia anterior. O máximo do ano registou-se na já referida “quinta-feira negra” de fevereiro, quando as taxas ultrapassaram 4% naquele prazo. O valor de fecho desta terça-feira fez regressar as yields para níveis do início de abril, depois de uma descida até 2,96% a 25 de maio.

No caso da dívida grega, as yields ultrapassaram esta terça-feira os 8%, regressando, assim, aos níveis do início de maio, antes do impulso positivo dado pelas reuniões do Eurogrupo e pelas decisões do governo e Parlamento gregos a partir de 9 de maio.

As yields da dívida no prazo a 10 anos subiram hoje sete pontos base para as obrigações espanholas e cinco pontos base para as italianas e irlandesas.

Em contraste, as yields das obrigações alemãs no prazo de referência desceram, pela primeira vez, para terreno negativo, chegando a cair para -0,034% durante a sessão, e fechando em -0,001%. A Alemanha entrou hoje no “clube” muito restrito dos emissores soberanos que registam no mercado secundário taxas negativas na dívida obrigacionista a 10 anos. Um triunvirato que inclui o Japão (que regista também yields negativas no prazo a 15 anos) e a Suíça (que regista também taxas negativas nos prazos a 15 e 20 anos).

  • O movimento em tesoura prossegue na zona euro. Os juros das obrigações alemãs desceram esta terça-feira para -0,007%, um novo mínimo histórico. Juros das Obrigações do Tesouro português e dos restantes periféricos continuam trajetória de subida