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Finanças disponíveis para colaborar no apuramento criminal de crédito malparado na CGD

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Nuno Fox

Ministério das Finanças remete para "entidades competentes" investigação a créditos anteriores à recapitalização de 2012. Em causa estão empréstimos problemáticos concedidos durante a administração de Carlos Santos Ferreira e Armando Vara

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O Ministério das Finanças, em resposta enviada ao Expresso, considera que se houve créditos concedidos pela Caixa Geral de Depósitos anteriormente à recapitalização de 2012 sem a devida avaliação, "essa questão deveria ter sido reportada nessa altura" e "sujeita às diligências entendidas por convenientes, nomeadamente no campo do apuramento de responsabilidade civil e criminal".

O "Correio da Manhã" divulgou esta terça-feira os resultados de uma auditoria, realizada em agosto de 2015, segundo a qual estariam em risco de não serem pagos a este banco público 2,3 mil milhões de euros de empréstimos, supostamente por ter havido "deficiente análise de risco" ou dadas garantias insuficientes. Deste montante, a Caixa já registou imparidades de 912,1 milhões (reportando-se a agosto de 2015).

Os empréstimos mais problemáticos teriam sido concedidos no tempo do mandato de Carlos Santos Ferreira e Armando Vara, em 2005, mas também houve outros mais recentes. Santos Ferreira foi sucedido por Faria de Oliveira e depois por José de Matos, em 2012.

Questionada pelo Expresso, fonte oficial do Ministério considera que "cabe às entidades competentes a todo o tempo realizar as diligências que entendam convenientes e adequadas nos termos da legislação em vigor". "O Governo está disponível para colaborar", acrescenta a fonte das Finanças.

A CGD foi recapitalizada em 2012 com 1650 milhões de euros, sublinha o Ministério, adiantando que "a injeção de capital realizada, de acordo com as regras de capitalização no quadro do programa de ajustamento, foram as necessárias para fazer face às imparidades detetadas. Neste contexto, todos os créditos existentes terão sido avaliados pela administração, pelo Banco de Portugal, pelos auditores da CGD e pela troika".

Assim sendo, diz ainda fonte do Ministério, "tendo em conta a avaliação realizada, prejuízos decorrentes de imparidades de crédito não registadas em 2012 apenas podem decorrer de eventos supervenientes e não antecipáveis em 2012 e, por maioria de razão, não antecipáveis em períodos anteriores e/ou avaliação deficiente de risco por parte das entidades envolvidas na determinação do montante da capitalização necessária".

Na ordem do dia está o plano de reestruturação e recapitalização da CGD, elaborado pela nova administração, liderada por António Domingues, a qual ainda não tomou posse.

Título do artigo alterado às 16h.28