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Juros da dívida dos periféricos em alta. Fator Brexit

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Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos subiram esta segunda-feira para 3,22%. Movimento de subida é geral aos periféricos. Analistas dizem que a “culpa” é do Brexit e que juros das obrigações alemãs vão descer, em breve, para valores negativos

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, estão a subir desde 9 de junho no mercado secundaário, quando fecharam em 3%. Esta segunda-feira, encerraram a sessão registando 3,22%, e chegaram a subir para 3,25%. Em relação ao fecho de sexta-feira passada a subida foi de 12 pontos base.

O movimento de alta no prazo de referência observou-se esta segunda-feira em todos os periféricos, com destaque para Portugal (subida de 12 pontos base) e Grécia (subida de 35 pontos base). As yields subiram quatro pontos base para as obrigações irlandesas, cinco pontos base para as espanholas, seis pontos base para as italianas.

A Reuters referiu que o “fator Brexit” está a influenciar negativamente os mercados financeiros, quer as bolsas, quer o mercado da dívida, numa nota publicada esta segunda-feira intitulada sugestivamente “Obrigações do sul da Europa agredidas por sondagem revelando uma grande vantagem do Brexit”.

A Reuters referia-se a uma sondagem da ORB para o “The Independent”, divulgada na sexta-feira, mostrando uma vantagem de 10 pontos percentuais para o Brexit, para a saída do Reino Unido da União Europeia (EU) no referendo de 23 de junho. A mais recente sondagem da ICM para o jornal “The Guardian”, divulgada hoje, dá uma vantagem de cinco pontos percentuais para o Brexit. Segundo o site do “Financial Times”, que cobre as sondagens realizadas, nas últimas cinco desde 9 de junho, apenas uma apontava para uma vitoria dos partidários da permanência na EU.

O prémio de risco da dívida portuguesa subiu nove pontos base, fechando em 320 pontos base, o que equivale a um diferencial de 3,2 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã a 10 anos. O prémio de risco subiu cinco pontos base para a dívida espanhola e italiana, três pontos base para a dívida irlandesa, e 34 pontos base para a dívida grega.

Bunds alemãs a 10 anos a caminho de taxas negativas

O risco dos periféricos poderá ainda subir mais se a trajetória de descida das yields das obrigações alemãs a 10 anos, que servem de referência na zona euro, se acentuar. Segundo os analistas, em breve, cairão para terreno negativo. Na sexta-feira passada, as yields das Bunds (designação das obrigações alemãs a 10 anos) fixaram um novo mínimo histórico de 0,019% no fecho, e esta segunda-feira encerraram a sessão em 0,024%.

Japão, Reino Unido e Suíça fixaram esta segunda-feira mínimos nas yields das obrigações a 10 anos. As yields das obrigações britânicas desceram para um mínimo de 1,21%. No caso dos dois outros emissores de dívida soberana, os mínimos foram fixados em terreno negativo: as yields das obrigações nipónicas desceram para -0,16% e das suíças para -0,486%. No prazo a 10 anos, as yields estão negativas desde fevereiro de 2016 para os títulos nipónicos e desde julho de 2015 para os suíços.

O movimento de descida é, também, visível noutros títulos refúgio no prazo de referência, a 10 anos - as obrigações norte-americanas, conhecidas por US Treasuries. As yields baixaram de 1,85% a 1 de junho para 1,62% esta segunda-feira. Níveis abaixo de 1,7%, nos últimos cinco anos, só se observaram em algumas sessões no verão de 2012, em 9 e 30 de novembro desse mesmo ano, em 26 de abril de 2013, em 30 de janeiro de 2015 e agora, desde 9 de junho.

Brexit, incerteza sobre a política monetária norte-americana (a Reserva Federal reúne-se a 14 e 15 de junho) e falhanço da política orçamental e monetária nipónica (o Banco do Japão realiza a sua reunião de política monetária no dia 17 de junho) estão a pesar negativamente, esta semana, no “sentimento” dos investidores nos diversos mercados de dívida soberana.

A crítica crescente à política monetária do Banco Central Europeu (BCE) tem, também, subido de tom e reforçado o “sentimento” pessimista nos mercados da dívida. Esta segunda-feira, num simpósio organizado pelo Bundesbank, o banco central alemão, o seu presidente, Jens Weidmann, advertiu que o “risco das políticas monetárias aumentou ao longo do tempo” e “que o ambiente monetário atual não necessita de maior flexibilização monetária”. Admitiu, também, que a “política expansionista atual do BCE se revela inadequada, dada a fraca perspetiva de inflação”.