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Turistas chineses em Portugal cresceram 44% em 2016

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Lisboa é o destino que atrai 73,4% dos chineses que vêm a Portugal

Luís Barra

Mesmo sem voos diretos, os chineses já estão a disparar no país. E são os turistas que fazem gastos mais elevados

O crescimento é astronómico: o turismo chinês em Portugal multiplicou-se por seis nos últimos anos, passando de 47,1 mil dormidas em 2009 para 271,3 mil em 2015. No ano passado os hóspedes chineses nos hotéis nacionais atingiram 154,4 mil, num aumento de 36,4%. E em 2016, até abril, a subida destes turistas já vai em 44% (mais de 37 mil hóspedes, geradores de 63 mil dormidas), dados que só incluem os hotéis classificados, não contabilizando os que ficam em casa própria (comprada ao abrigo de vistos gold) ou de amigos.

“Estamos a rebentar a escala”, constata Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, enfatizando “a forte apetência de chineses que está a haver pelo nosso destino, não só do ponto de vista de turismo mas também de investimento”. O que levou o Turismo de Portugal a repensar a estratégia de crescimento para o mercado da China, “com ou sem os voos da TAP”, pois “estamos a falar de um país que é emissor de 120 milhões de turistas ao ano e que tem um potencial fantástico para qualquer país, sobretudo para Portugal”. Mas as rotas diretas da TAP entre Portugal e China, “em que trabalhamos afincadamente para que se concretizem”, terão aqui um efeito multiplicador pelas “condições que o país passa a oferecer até para captação de investimento, pelo hub com a América e com África”, como salienta Luís Araújo.

Segundo o responsável, “o grande desafio é que os turistas chineses fiquem mais tempo em Portugal, atualmente ficam menos de dois dias”, e também passa por pensar nas formas de “chegar a um mercado tão grande e como é que o nosso turismo se adapta para receber esses turistas”. Em Portugal já vigora o sistema de certificação Welcome Chinese criado pelo Governo chinês e coordenado a nível nacional pela consultora Edeluc, com requisitos para hotéis, restaurantes, lojas ou museus atenderem convenientemente estes turistas (nos hotéis, as regras passam por ter pequeno-almoço chinês, tal como canais de TV e jornais, ou ainda chaleiras próprias para o chá). O centro de compras Freeport, onde os clientes chineses estão a subir em flecha, já tem esta certificação.

O presidente do Turismo de Portugal adianta que a nova estratégia para este mercado vai passar por “trazer jornalistas chineses a conhecer o país, produzir conteúdos em mandarim, reforçar a presença nas redes sociais chinesas” e também irá envolver a rede de escolas de turismo. “Estamos a tentar fazer protocolos de formação nas nossas escolas para receber chineses que queiram estudar turismo em Portugal”, adianta. Outra frente passa por “atrair a segunda geração de chineses que vivem em Portugal para o sector do turismo, pois será um trunfo extraordinário para hotéis, restaurantes e lojas ter pessoas a atender em chinês”.

A delegação do Turismo de Portugal em Xangai também está de portas abertas a “servir de apoio a qualquer empresa nacional que se queira internacionalizar”, garante Luís Araújo, avançando que serão repetidas ações como o road show (apresentação a investidores) que o Turismo de Portugal fez há um mês passando por cinco cidades chinesas (Pequim, Xangai, Chengdu, Guangzhou e Hong Kong), onde participaram 13 empresas turísticas nacionais, de hotelaria ou do sector das viagens. “E estas 13 empresas fizeram contactos com 250 empresas chinesas”, frisa.
Os chineses que vêm a Portugal destacam-se ainda pelas despesas em compras. “São dos turistas mais gastadores que temos”, nota o responsável. Segundo a China Tourism Academy, o gasto médio de cada turista chinês em Portugal em 2014 foi de €935.