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Edifício dos CTT vai dar lugar a megarresidência de estudantes

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O antigo edifício dos CTT estava devoluto desde 2010 quando os serviços dos CTT passaram para o Parque das Nações

Nuno Botelho

Temprano Capital vai reconverter imóvel no centro de Lisboa em alojamento para estudantes com mais de 300 estúdios. Este é o segundo investimento do fundo em Portugal

Marisa Antunes

Jornalista

O antigo edifício dos CTT, um imóvel de grande dimensão situado no número 79 da Rua do Rua do Conde Redondo, em pleno centro de Lisboa (a cinco minutos da Avenida da Liberdade, a mais cara do país), vai ser transformado numa residência de estudantes com capacidade para 330 estúdios. A aquisição foi feita pela Temprano Capital Partners, empresa europeia de investimento e gestão de ativos (centrada em oportunidades na Península Ibérica), que se aliou numa joint-venture com a Carey European Student Housing Fund, dos americanos da W.P. Carey.

Encerrado há mais de seis anos, o imóvel com 10.900 m2 datado da década de 60 aguarda licenciamento para avançar para obras de remodelação. Mas a expectativa é que em pouco mais de um ano já esteja operacional. “Vamos fazer uma reconversão total do espaço e se tudo correr de dentro do previsto esperamos ter tudo funcional em setembro de 2017, no início do ano letivo”, avançou James Preston, diretor-executivo da Temprano. Este é o segundo investimento da sociedade gestora em Portugal, depois de terem adquirido o Focus Park, retail park em Gaia, há pouco mais de quatro meses.

Lembrando que “há cada vez mais estudantes de todo o mundo a procurar as cidades portuguesas para estudar sem que consigam encontrar muita oferta em condições”, o responsável referiu que a Temprano está a procurar ativamente mais imóveis para reconverter em alojamento para estudantes não só em Lisboa, mas também no Porto e Coimbra.

Os critérios serão os mesmos dos que foram aplicados no imóvel do Conde Redondo: “Não é fácil encontrar um imóvel desta dimensão, pois não há muitos devolutos, mas é isto que procuramos: edifícios com escala, acesso aos transportes públicos e centralidade. Como este em que os estudantes podem, em poucos minutos a pé, estar na Rotunda do Marquês”.

Investir em Portugal é, neste momento, uma prioridade para a Temprano, depois dos últimos dois anos ter apostado fortemente em Espanha. Em 2014, por exemplo, a empresa comprou ao Fundo Sierra (um fundo paneuropeu no qual a Sonae Sierra participa com 50,1%) e ao fundo Retail Property Fund Ibérica (da CBRE Global Investors) o centro comercial La Farga (em Hospitalet de Llobregat, Barcelona).

“Mas Portugal é agora o nosso foco. Sentimos que aquilo que está a acontecer aqui não é cíclico, é uma mudança estrutural. Há procura, há oportunidades e há condições, neste momento, para investir em Portugal e, por isso, vamos continuar por cá. Somos fãs de Portugal”, remata James Preston. A Temprano tem entre 100 a 200 milhões de euros para investir de norte a sul do país nos próximos 24 meses, referiu ainda o responsável, acrescentando que a prospeção de mercado incide em ativos de retalho, residenciais (para estudantes) e de escritórios.