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Conselhos para baixar a fatura do gás

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MATTHEW LLOYD/BLOOMBERG

A fatura do gás (seja natural, seja de botija ou outro) não é das que mais preocupam os portugueses, mas ao fim do mês tudo conta

Pedro Andersson / SIC

Lembrei-me deste tema porque tive de chamar um técnico a casa para fazer uma inspeção à canalização do gás. O homem, muito simpático, chegou ao pé do esquentador e disparou: “Sabe que está a gastar uma brutalidade de gás sem necessidade, não sabe?”

Podem não ter sido estas as palavras (a parte técnica dispensei-a toda), mas foi o que eu percebi. Afinal, com tanta dica de poupança que partilho, como é que estou a desperdiçar gás todos os dias?

Simples. Nós raramente abrimos a porta do esquentador e olhamos para ele. Ligamos a água quente e esperamos que saia água quente da torneira, certo?

Só vamos verificar o esquentador quando a água sai fria, pelo menos é assim comigo. Ora o meu esquentador, sabe-se lá porquê, estava a debitar água a 54 graus provavelmente desde o início do outono passado.

A consequência natural de tão alta temperatura é que, no duche ou no banho da família toda, com água demasiado quente é preciso misturar água fria. E para quê?

Na prática, para exemplificar, é como se estivesse a gastar 2 pinheiros para fazer uma fogueira para assar uma sardinha. Estou a gastar todos os dias gás a mais para aquecer a água a 54 graus quando o corpo humano (li na net, não tenho nenhum estudo científico a comprovar) considera confortável a água a 40 graus.

Basta baixar a potência do esquentador para 42 ou 43 graus (a água arrefece a caminho do chuveiro), para não ser necessário estar a gastar tanto gás para depois simplesmente a arrefecer juntando água fria. Um desperdício de que não me tinha apercebido.

Depois deste episódio, li que (ainda não confirmei esta informação, porque preciso de ver a minha fatura de gás do mês que vem) há uma indicação de que por cada grau que baixarmos o esquentador o consumo de gás pode baixar 7% (há um limite de temperatura em que essa conta deixa de ser proporcional, como é evidente).

Portanto, aprendi a lição. Pelo menos a cada primavera, ou a cada semestre, vou colocar um alerta no telemóvel para verificar se a temperatura a que sai a água do esquentador está em limites razoáveis e confortáveis. E já agora encurte o tempo do duche. Tenho um aparelho que, quando atinge os 35 litros, apita tipo alarme (raramente paro o duche por causa disso, mas acho piada).

Depois há o básico. Já tem o gás no mercado liberalizado? Já praticamente todas as empresas distribuidoras de gás fazem alguma espécie de desconto, e descontos maiores ainda se juntar a eletricidade. Veja a cada 6 meses que descontos as empresas estão a fazer e mude se encontrar melhor do que tem. Não está fidelizado, e a mudança de operador é simples. Os acertos de contas é que não (isso ainda é um drama em algumas empresas).

Depois há as dicas do costume: no fogão, não use bicos maiores que os recipientes, opte pela panela de pressão, cozinhe os alimentos só o tempo necessário (temos em Portugal a mania de cozinhar sempre os alimentos tempo de mais) e com a tampa no recipiente.

Sei que a fatura do gás (seja natural, seja de botija ou outro) não é das que mais preocupam os portugueses, mas ao fim do mês tudo conta.

Por curiosidade, quando chegar a casa veja a quantos graus está a sair a água do seu esquentador. Se fizer isso, já ganhei o dia. E, provavelmente, o leitor também.