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Bolsas mundiais no vermelho. Europa lidera quedas semanais

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O índice mundial de bolsas recuou 0,62% esta semana e o pior desempenho centrou-se na Europa, cujo índice perdeu 2,7%. Catorze bolsas europeias registaram quedas superiores a 2%. PSI 20 perdeu 2,2%. Atenas foi a pior, à beira de derrocada

O fecho das bolsas na sexta-feira foi o pior do mês de junho, até à data. O índice mundial MSCI caiu na última sessão da semana 1,41%, pressionado pelas quedas de 2,7% na Europa, 1,6% no conjunto dos mercados emergentes e 1% na Ásia Pacífico. Até Nova Iorque fechou no vermelho, com o conjunto dos índices a perder quase 1%. Wall Street registou quedas de 0,85% do S&P 500 e 0,67% do Dow Jones 30, e o Nasdaq (a bolsa das tecnológicas) recuou 1,29%.

Em termos semanais, o índice mundial caiu 0,62%, invertendo a tendência de final de maio e início de junho, tendo na semana anterior registado um ganho de 0,23%. O pior desempenho semanal foi da Europa. O índice MSCI respetivo recuou 2,65%. Também se registaram perdas semanais nas bolsas norte-americanas, com o índice MSCI respetivo a perder 0,21%. A região da Ásia Pacífico e o conjunto dos mercados emergentes registaram ganhos.

Nos mercados de matérias-primas, o petróleo voltou a estar em foco. A volatilidade do preço do barril de Brent foi marcante. Fixou um pico de 52,84 dólares durante a sessão de 9 de junho, para depois cair, e fechar a semana em 50,45 dólares. A trajetória de subida desde 20 de janeiro mantem-se. O preço do Brent, desde esse mínimo do ano, já subiu 86%. Esta semana aumentou 1,6% em relação ao fecho de 3 de junho. Os índices de matérias-primas registaram, também, subidas. O CRB avançou 2,2% e o S&P GSCI aumentou 1,33%.

Europa em destaque pela negativa

A Europa esteve esta semana em destaque pela negativa. Catorze índices bolsistas europeus registaram quedas superiores a 2%. Esse grupo europeu liderou a classificação mundial de quedas da semana, a que se juntou o recuo do iBovespa em São Paulo com um recuo ligeiramente acima de 2%.

O índice geral de Atenas esteve à beira de uma derrocada semanal, tendo perdido 4,6%. No grupo de topo das quedas semanais acima de 2,5% estiveram, ainda, o Ibex 35 de Madrid, o SMI de Zurique, o Dax de Frankfurt e o Cac 40.

O índice PSI 20, da bolsa de Lisboa, perdeu 2,15%, registando três dias consecutivos no vermelho. Os títulos do BCP acumularam uma quebra de 8%, liderando as descidas.

Fatores de risco

A alimentar o “sentimento” negativo dos investidores inclui-se à cabeça o risco de Brexit na União Europeia, com a sondagem mais recente para o “The Independent” a dar uma vitória clara à saída do Reino Unido (55% a favor do Brexit contra 45% pela manutenção) depois do referendo de 23 de junho. Acresce a incerteza sobre o rumo na Reserva Federal norte-americana (Fed) quanto a uma nova subida das taxas de juro (com reunião de política monetária marcada para 15 de junho), a divulgação de novas previsões com revisões em baixa do crescimento mundial (o relatório do Banco Mundial divulgado no dia 7 projeta um crescimento mundial em 2016 de apenas 2,4%, quase um ponto percentual abaixo do previsto pelo Fundo Monetário Internacional em abril) e uma critica crescente nos meios bancários e políticos alemães à política monetária do Banco Central Europeu.

Na Europa, há que adicionar a incerteza sobre o governo que poderá sair dos resultados das eleições em Espanha três dias depois do referendo britânico e os investidores registarão, também, os sinais da segunda volta das eleições municipais em Itália no final da próxima semana (19 de junho).

A situação do conjunto dos mercados financeiros pode ainda piorar se o “vaticínio” de Bill Gross, da Janus Capital, se concretizar no mercado da dívida soberana. Gross fala de uma “supernova” de taxas negativas de remuneração de obrigações soberanas com um valor equivalente a 10 biliões de dólares na Europa e no Japão, uma situação jamais vista “em mais de 500 anos de que há registos”. “Uma supernova que vai explodir um dia”, conclui. Recorde-se que, esta semana, a Alemanha, Japão e Suíça fixaram novos mínimos históricos nos juros da dívida a 10 anos no mercado secundário; a Alemanha com os juros a aproximarem-se de 0% nesse prazo de referência, e os outros dois países a fixarem novos mínimos, em terreno negativo. Os juros negativos das obrigações nipónicas a 10 anos caíram no fecho desta semana para -0,15%. No caso da Suíça, os juros estão negativos a 10 anos (-0,45%), 15 (-0,21%) e 20 anos (-0,07%).

Reunião da Fed a 15 de junho

A agenda da próxima semana está marcada pela reunião da Fed na próxima quarta-feira. Os futuros das taxas de juro do banco central apontam para uma probabilidade implícita muito baixa de uma decisão de subida na reunião de quinta-feira e mesmo na seguinte, a 27 de junho. As probabilidades implícitas são de 2% e 21% respetivamente, e baixaram em relação às registadas a 3 de junho (4% e 31% respetivamente).

Uma probabilidade superior a 50% só se verifica para a reunião de 14 de dezembro. Mas há analistas que avisam que a equipa liderada por Janet Yellen poderá “surpreender” ainda no verão. Uma nova subida das taxas de juro da Fed terá uma repercussão importante nos mercados internacionais.

Na “frente” da zona euro, o Eurogrupo e o Mecanismo Europeu de Estabilidade deverão aprovar o desembolso da tranche de 7,5 mil milhões de euros a Atenas nas reuniões previstas para 16 de junho, retirando a Grécia dos fatores de risco até ao próximo “exame” do resgate em outubro.

  • O Grupo de Trabalho do Eurogrupo considerou na quinta-feira à noite que Atenas cumpriu com as “correções” que lhe foram exigidas e a comissão do orçamento do Parlamento alemão já esta sexta-feira votou a favor do desembolso de €7,5 mil milhões no âmbito do resgate

  • Portugal registou esta semana a maior descida de juros nas obrigações a 10 anos no conjunto dos periféricos do euro. Juros das obrigações alemãs em novo mínimo histórico já muito próximo de 0%. Prémio de risco manteve-se para Portugal e subiu para os restantes periféricos

  • O Banco Mundial é mais pessimista do que o FMI sobre o comportamento da economia global e dos EUA em 2016 e alinha a previsão para a zona euro com a última atualização realizada pelo BCE na semana passada que aponta para 1,6% este ano. Riscos para a economia mundial agravaram-se