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Juros da dívida descem em termos semanais, mas continuam acima de 3%

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Portugal registou esta semana a maior descida de juros nas obrigações a 10 anos no conjunto dos periféricos do euro. Juros das obrigações alemãs em novo mínimo histórico já muito próximo de 0%. Prémio de risco manteve-se para Portugal e subiu para os restantes periféricos

Jorge Nascimento Rodrigues

Apesar das yields das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos terem subido no mercado secundário da dívida soberana para 3,2% a 6 de junho, fecharam a semana em 3,10%, segundo dados da Bloomberg, o que significa uma descida de seis pontos base em relação ao fecho na semana passada. Foi a maior descida esta semana no conjunto dos periféricos do euro. Depois de terem caído para 2,96% a 25 de maio, as yields têm-se mantido acima de 3%.

Refira.se que Portugal regressou esta semana ao mercado da dívida obrigacionista para realizar dois leilões de linhas de obrigações que vencem em 2021 e 2025, tendo registado uma procura mais elevada do que nos leilões anteriores dessas linhas, ainda que o IGCP - a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - tenha pago taxas de colocação mais elevadas.

A semana ficou marcada pela queda em direção a 0% das yields das Bunds (designação das obrigações alemãs de longo prazo) a 10 anos, que fecharam em 0,019%, tendo chegado a descer durante a sessão de sexta-feira para 0,01%. Ao longo da semana, as yields das Bunds naquele prazo foram fixando novos mínimos históricos sucessivos e muitos analistas preveem a sua descida, em breve, para terreno negativo ingressando num 'clube' onde se encontra o Japão e a Suíça.

A corrida aos títulos seguros na zona euro – e nomeadamente às Bunds - está a ser provocada pela incerteza sobre os resultados do referendo britânico a 23 de junho, com a mais recente sondagem da ORB para o jornal “The Independent” a dar uma vitória por 55% à saída (Brexit) do Reino Unido da União Europeia, e pela crítica crescente à política monetária do Banco Central Europeu que poderá não estender para além de março de 2017 o programa de compra de obrigações soberanas no mercado secundário. Este programa tem sido essencial em particular para a queda das yields no mercado secundário e para a descida das taxas de colocação nas novas emissões de dívida dos periféricos do euro.

Em virtude da descida das yields das obrigações alemãs a 10 anos que servem de referência, o prémio de risco dos periféricos manteve-se, como foi o caso da dívida portuguesa, ou subiu, como sucedeu com os restantes periféricos.

O prémio de risco de Portugal manteve-se em 311 pontos base, o que equivale a um diferencial ligeiramente superior a 3 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã. Continua a ser um prémio mais de duas vezes superior ao espanhol ou italiano e quase o quíntuplo do irlandês.

O desembolso da primeira parte da segunda tranche de financiamento à Grécia, no âmbito do terceiro resgate, recebeu esta semana a luz verde do Grupo de Trabalho do Eurogrupo, bem como da comissão de Orçamento do parlamento alemão, um dos parlamentos da zona euro que tinha de aprovar a medida.

Os analistas esperam que a 16 de junho, na próxima semana, os 19 ministros do Eurogrupo, e depois o Mecanismo Europeu de Estabilidade, aprovem o desembolso de 7,5 mil milhões de euros, que, politicamente, se pretende que chegue a Atenas antes do referendo britânico a 23 de junho e das eleições legislativas em Espanha três dias depois.

No entanto, esta luz verde ainda não se repercutiu na queda das yields das obrigações gregas a 10 anos, que fecharam a semana 18 pontos base acima do valor de encerramento a 3 de junho. As yields destas obrigações continuam acima de 7%.