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Juros da Dívida. Alemanha em novo mínimo histórico. Sobem nos periféricos

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Os juros das obrigações alemãs a 10 anos já desceram para 0,02%. Juros das obrigações gregas e portuguesas destacam-se nas subidas. Japão e Suíça fixam novos mínimos em juros negativos

Jorge Nascimento Rodrigues

Esta semana está a ser marcada por mínimos históricos sucessivos nas yields das obrigações alemãs a 10 anos no mercado secundário. O custo de financiamento das Bunds naquele prazo de referência já desceu esta sexta-feira para 0,02%, um novo mínimo histórico.

As obrigações alemãs registam taxas negativas até ao prazo de 9 anos inclusive e a trajetória a 10 anos parece indicar o mesmo destino para as Bunds a 10 anos. Quando isso ocorrer, a Alemanha entra para o clube restrito das taxas negativas a 10 anos, onde se encontram já o Japão, desde 24 de fevereiro deste ano, e a Suíça, desde 19 de julho de 2015.

Apesar da descida nas yields da dívida alemã e de outras economias do “centro” do euro, os periféricos da moeda única registam esta sexta-feira uma trajetória de alta no prazo de referência.

As yields das obrigações gregas naquele prazo de referência subiram para 7,6%, apesar do Grupo de Trabalho do Eurogrupo e da comissão de Orçamento do Parlamento alemão terem dado luz verde ao Eurogrupo e ao Mecanismo Europeu de Estabilidade para o desembolso da primeira parte da segunda tranche do terceiro resgate a Atenas.

No caso das Obrigações do Tesouro português a 10 anos, as yields já subiram para 3,14%, um aumento de seis pontos base em relação ao fecho de quinta-feira.

Esta sexta-feira está, ainda, a ser marcada no mercado secundário da dívida soberana por novos mínimos nas yields das obrigações japonesas e suíças no prazo a 10 anos. No caso japonês, desceram para -0,15%, e no caso suíço para -0,405%. Refira-se, ainda, que a Suíça regista taxas negativas em obrigações a 15 e 20 anos e muito perto de 0% a 30 anos.

Supernova vai estoirar

A ampliação do clube de países desenvolvidos com taxas negativas em diversos prazos suscitou do financeiro Bill Gross um aviso esta semana no site da sua empresa Janus Capital. As yields das obrigações estão “em mínimos de 500 anos desde que há registo” e a extensão das taxas negativas leva Gross a falar de uma “supernova”. São “10 biliões de dólares em obrigações com taxas negativas”, adianta o financeiro, para concluir “isso é uma supernova que vai explodir um dia”.

Os riscos crescentes derivados de vários eventos políticos próximos na Europa (referendo britânico, eleições em Espanha), de crítica crescente à política monetária do Banco Central Europeu (que tem permitido a quatro dos periféricos juros historicamente baixos e uma caminhada para terreno negativo aos juros das economias do centro do euro), e de abrandamento da economia global (a última revisão em baixa foi protagonizada pelo Banco Mundial), estão a alimentar, por um lado, uma corrida dos investidores a títulos considerados “seguros” e, por outro, uma vaga de crescente dúvida sobre a dívida dos periféricos do euro, hoje em dia dependentes das compras de obrigações no mercado secundário pelo banco central liderado por Mario Draghi.

  • O Grupo de Trabalho do Eurogrupo considerou na quinta-feira à noite que Atenas cumpriu com as “correções” que lhe foram exigidas e a comissão do orçamento do Parlamento alemão já esta sexta-feira votou a favor do desembolso de €7,5 mil milhões no âmbito do resgate

  • Os índices Dax de Frankfurt e MIB de Milão lideram as quedas esta sexta-feira entre as principais praças financeiras europeias. Na bolsa de Lisboa, o PSI 20 perde 1,2%. Ásia Pacífico fechou em queda, com Hong Kong a liderar as descidas

  • Os juros das obrigações alemãs a 10 anos caíram durante esta quinta-feira para 0,023%, um novo mínimo histórico. As obrigações britânicas no prazo de referência desceram para 1,22%, um mínimo desde 1989. Juros das obrigações portuguesas descem para 3,06%