Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Ricciardi defende entrada de um grande acionista no Novo Banco

  • 333

Tiago Miranda

José Maria Ricciardi considera que a melhor solução para o Novo Banco hoje é, em vez de vendê-lo, capitalizá-lo através de um aumento de capital. A Haitong, banco que lidera, já tem potenciais investidores interessados neste modelo

Anabela Campos

Anabela Campos

nos EUA

Jornalista

"Considero que primeiro devia ser feita uma capitalização do Novo Banco, com um aumento de capital. Mais tarde, far-se-ia uma venda, através de uma oferta pública (IPO) em Bolsa, já com o banco a gerar rentabilidade. É esta a minha opinião", disse José Maria Ricciardi, presidente da Haitong (ex-BESI) ao Expresso e ao Negócios, em Nova Iorque, durante o Pan European Days.

Ricciardi defende então a entrada de um ou mais grandes acionistas no Novo Banco através de um aumento de capital, mantendo-se o Fundo de Resolução durante mais algum tempo, até haver uma dispersão em bolsa. Seria uma solução mais interessante do que vender o banco já, uma vez que fazê-lo agora implica que seja "com um desconto gigantesco", diz. O aumento de capital, considera, deveria ser feito até ao final do ano.

"Numa comparação grosseira defendo para o Novo Banco uma solução semelhante há que se adoptou para TAP, em que o Estado fivou, entraram acionista, com uma gestão privada e capital", exemplifica. Ricciardi considera que este modelo faria com que o Novo Banco deixasse de ser um banco de transição, adquirindo uma nova marca, reestruturando-se e tornando-se mais rentável.

"Nós, Haitong, podemos trazer alguns investidores que poderão estar interessados nesta solução. Sabemos e temos contactos com investidores que numa solução destas poderão apresentar-se como potenciais compradores", admitiu. E foi mais longe, dizendo mesmo que já há interessados, não quis porém dizer quem.

Ricciardi defendeu ainda a existência de uma maior consolidação da banca portuguesa. "Portugal precisa de ter menos bancos, maiores e mais eficientes. É preciso uma reestruturação do sistema financeiro, e essa reestruturação passa por uma maior consolidação bancária", afirmou. O gestor acha inclusive que a fusão entre o BCP e o Novo Banco é uma possibilidade. Tudo isto, no entanto, implica que haja capital. E Ricciardi sublinha: ou vem do exterior ou de um segundo resgate, e esta última possibilidade está, ao que tudo indica, posta de parte.