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Portugal coloca €1000 milhões em dívida, com procura elevada

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O IGCP realizou esta quarta-feira dois leilões de obrigações a cinco e a nove anos tendo emitido mil milhões de euros pagando mais do que em emissões similares anteriores, mas em linha com as yields no mercado secundário. A procura pelos investidores foi superior

Jorge Nascimento Rodrigues

O Tesouro português regressou esta quarta-feira ao mercado obrigacionista tendo colocado mil milhões de euros em dois leilões de duas linhas de Obrigações do Tesouro (OT) que vencem respetivamente em 2021 (que serve de referência atualmente a 5 anos) e 2025 (que serve de referência a 9 anos).

A procura foi elevada, de 1,98 vezes a colocação no leilão a cinco anos e de 2,28 no leilão a 9 anos, rácios muito superiores aos verificados nas emissões similares anteriores. Portugal colocou 600 milhões de euros no prazo a cinco anos e 400 milhões no prazo a nove anos.

No leilão a cinco anos, o IGCP, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, pagou 1,843%, uma taxa de colocação ligeiramente superior à registada (1,84%) na emissão similar anterior a 23 de março deste ano. Esta taxa de remuneração dos investidores ficou ligeiramente abaixo da yield para aquela linha de OT no mercado secundário que registava esta quarta-feira 1,88% à hora do leilão.

A nove anos, o Tesouro pagou uma taxa de colocação de 2,859%, próxima das yields registadas no mercado secundário, mas acima de 2,429%, a remuneração registada na emissão anterior similar, realizada em novembro de 2015.

“As taxas saíram perfeitamente em linha com as que estão a ser praticadas no mercado secundário. A colocação correu bem, com uma boa procura, cerca de o dobro da oferta e o montante total emitido foi o máximo previsto. É mais uma operação que vem ajudar a gerir a nossa dívida uma vez que o país está a conseguir estender as maturidades com taxas mais baixas, na dívida de prazo mais longo”, refere Filipe Silva, responsável pelo mercado de dívida no Banco Carregosa.

Com a emissão desta quarta-feira, o IGCP já realizou sete leilões obrigacionistas, dois a 9 de março (5 e 10 anos), dois a 23 daquele mês (5 e 14 anos), um a 11 de maio (10 anos) e dois a 8 de junho (5 e 9 anos). A Agência já colocou este ano 4,4 mil milhões de euros através de leilões e 8,5 mil milhões em operações sindicadas em janeiro (nova referência a 10 anos), março (OT a vencer em 2037) e abril (OTs a vencerem em 2022 e 2045). Emitiu ainda Medium Term Notes (MTN) a 10 anos no valor de 1,8 mil milhões de euros (na sequência da resolução do Banif).

As necessidades de financiamento exigindo novas emissões de obrigações até final de ano deverão rondar mais 4 mil milhões de euros. O IGCP já terá colocado 78% da previsão de financiamento através de obrigações e MTN para 2016, tomando como base os dados fornecidos na Apresentação a Investidores de maio.

Refira-se que, também, esta quarta-feira, o Tesouro alemão colocou 5000 milhões de euros reabrindo uma linha de obrigações a 2 anos pagando uma taxa negativa de -0,55%, ainda mais baixa do que na emissão similar anterior. Ou seja, nesta emissão, que teve uma procura 1,6 vezes superior à colocação, os investidores “pagaram” para deter dívida alemã.