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Banco de Portugal corta previsões de crescimento para 1,3% este ano

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José Carlos Carvalho

O Banco de Portugal reviu esta quarta-feira em baixa as projeções de crescimento económico, esperando um aumento de 1,3% este ano e que, em 2018, o nível do PIB esteja próximo mas abaixo do registado antes da crise de 2008

O Banco de Portugal (BdP) antecipa que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 1,3% este ano (contra os 1,5% previstos em março), acelerando para os 1,6% em 2017 (abaixo dos 1,7% antecipados há três meses) e diminuindo ligeiramente para os 1,5% em 2018 (contra os 1,6% anteriormente projetados).

Estas previsões, incritas no Boletim Económico de junho divulgado esta quarta-feira, são mais pessimistas do que as do Governo, que em abril antecipou que o PIB crescesse 1,8% este ano e no próximo, acelerando o ritmo de crescimento ligeiramente nos anos seguintes, para os 1,9% em 2018 e para os 2% em 2020.

A instituição liderada por Carlos Costa indica que a atividade económica deverá apresentar uma "recuperação moderada" até 2016, que será "ligeiramente inferior à projetada para a área do euro", acrescentando que, em 2018, o nível do PIB deverá estar "próximo mas ainda abaixo do observado antes da crise financeira internacional de 2008".

Esta evolução esperada para a economia portuguesa até 2018 "é compatível com a continuação da redução do nível de alavancagem do setor privado, condição indispensável para assegurar um padrão de crescimento sustentável da economia portuguesa nos próximos anos".

Quanto às componentes do PIB, o BdP espera que o consumo privado registe "um crescimento robusto em 2016" para depois "desacelerar progressivamente no restante horizonte de projeção, em linha com a evolução do rendimento disponível real".

Depois de em 2015 ter crescido 2,6%, o consumo privado deverá aumentar 2,1% em 2016, desacelerando o ritmo de crescimento para 1,7% no ano seguinte e 1,3% em 2018.

A instituição escreve que, em 2017, "o rendimento disponível deverá continuar a beneficiar das medidas de reposição de rendimento" incluídas no Orçamento do Estado para 2016 (OE2016), mas que, em 2018, o rendimento disponível das famílias "deverá registar um abrandamento, em particular ao nível das remunerações líquidas, atendendo à dissipação do impacto positivo da reposição dos cortes salariais no setor público e da eliminação da sobretaxa ao imposto sobre o rendimento das famílias no período 2015-2017".

Assim, entre 2016 e 2018, o BdP espera que haja "um aumento da taxa de poupança para valores em torno de 5%", depois de este indicador ter caído para os 4,2% no final do ano passado.

Por outro lado, a projeção aponta para "uma variação marginal do investimento em 2016", que deverá ser seguida de "crescimentos relativamente robustos em 2017 e 2018, escreve o BdP, acrescentando que "o contexto de maior incerteza, quer interna quer externa, que caracterizou a segunda metade de 2015 e o início de 2016, terá condicionado de forma marcada a evolução da FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) nos trimestres recentes".

O banco central espera que o investimento cresça apenas 0,1% este ano, acelerando o ritmo de crescimento para os 4,3% em 2017 e para os 4,6% em 2018.

A instituição alerta para que "a eventual persistência de um quadro de incerteza pode continuar a determinar um adiamento de decisões de investimento, com impacto no ritmo de recuperação da economia" e acrescenta que, "esta possibilidade, a concretizar-se, reveste-se de particular importância num contexto em que o capital por trabalhador na economia portuguesa se tem mantido em níveis relativamente baixos quando comparados com a média da área do euro".

Do lado das exportações, antecipa-se "uma desaceleração em 2016, que reflete a evolução das exportações de combustíveis e o menor crescimento da procura externa dirigida aos exportadores portugueses".

Em concreto, o BdP refere que as exportações para algumas economias de mercados emergentes, "com destaque para Angola", deverão continuar a ter "um contributo negativo e significativo para a variação das exportações totais em 2016".

As projeções do banco central apontam para que, depois de terem crescido 5,2% no ano passado, as exportações apresentem um aumento de 1,6% este ano, acelerando para os 4,7% nos dois anos seguintes.

Já as importações, que cresceram 7,4% em 2015, deverão aumentar 2,8% este ano, 4,9% no próximo e 4,8% em 2018.

No que se refere à inflação, espera-se que aumente "progressivamente ao longo do horizonte de projeção", de 0,5% em 2015 para 0,7% em 2016, para 1,4% em 2017 e para 1,5% em 2018, o que representa uma revisão em alta face às projeções apresentadas em março, "refletindo a incorporação da informação mais recente relativa ao IHPC (índice harmonizado de preços ao consumidor) e a revisão da hipótese relativa ao preço do petróleo".

  • O Banco Mundial é mais pessimista do que o FMI sobre o comportamento da economia global e dos EUA em 2016 e alinha a previsão para a zona euro com a última atualização realizada pelo BCE na semana passada que aponta para 1,6% este ano. Riscos para a economia mundial agravaram-se