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Banco Mundial corta previsão de crescimento mundial e da zona euro

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O Banco Mundial é mais pessimista do que o FMI sobre o comportamento da economia global e dos EUA em 2016 e alinha a previsão para a zona euro com a última atualização realizada pelo BCE na semana passada que aponta para 1,6% este ano. Riscos para a economia mundial agravaram-se

Jorge Nascimento Rodrigues

O Banco Mundial (BM) cortou meio ponto percentual na previsão de crescimento da economia mundial para 2016 e reviu em baixa em uma décima a projeção de crescimento da zona euro para este ano em relação às suas previsões de janeiro. A organização divulgou o seu "Global Economic Prospects" em Washington.

O Produto Interno Bruto (PIB) à escala global deverá crescer 2,4% este ano, em vez de 2,9% previsto em janeiro, e significativamente abaixo da projeção de 3,2% apresentada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em abril passado no “World Economic Outlook” (WEO).

Metade da revisão em baixa do crescimento mundial é derivada de um corte na projeção para as economias exportadoras de matérias-primas situadas nos países emergentes e em desenvolvimento que deverão crescer em 2016 apenas 0,4%, uma correção de 1,2 pontos percentuais em relação à previsão de janeiro. As outras razões prendem-se com um “crescimento preguiçoso” das economias desenvolvidas, enfraquecimento do comércio internacional e recuo nos fluxos de capitais.

O BM é mais pessimista que o FMI no comportamento da economia global e em particular dos Estados Unidos (a maior economia do mundo) e do Brasil. A previsão do BM para o crescimento dos EUA em 2016 é, agora, de 1,9% frente a 2,4%, segundo o FMI. Quanto ao Brasil, um dos quatro BRIC, o FMI projeta uma recessão de 3,8% e o BM projeta uma quebra do PIB ainda maior, de 4%, agravando em 1,5 pontos percentuais a sua previsão anterior de janeiro.

Zona Euro com previsão de 1,6%

Mas é mais otimista que a organização liderada por Christine Lagarde quanto à zona euro, alinhando, agora, com a previsão do Banco Central Europeu (BCE) divulgada na semana passada. Segundo o BM, em linha com as Projeções macroeconómicas do BCE divulgadas na reunião da semana passada, a economia dos 19 da moeda única deverá crescer 1,6% em 2016, enquanto o FMI projetava em abril um crescimento de 1,5%. O BM cortou em uma décima esta sua previsão para 2016. Recorde-se que o BCE reviu em alta em duas décimas a sua previsão para 2016.

Em relação à China, o BM é mais otimista do que o FMI, apontando para uma previsão de crescimento de 6,7% em 2016, face a 6,5% no WEO de abril. A previsão do BM está mais próxima da apontada pelo Banco Central da China, de 6,8%. O BM confirma uma desaceleração do crescimento na segunda maior economia do mundo em relação a 2015, quando o PIB cresceu 6,9%.

Riscos acentuados

O relatório do Banco Mundial deixa uma nuvem negra nas conclusões sobre os riscos que pairam sobre a economia mundial.

“Em um ambiente de crescimento anémico, a economia mundial enfrenta riscos acentuados, incluindo um novo abrandamento nos principais mercados emergentes, mudanças bruscas no sentimento dos mercados financeiros, estagnação nas economias desenvolvidas, um período de preços baixos de matérias-primas mais longo do que o esperado, riscos geopolíticos em diferentes partes do mundo, e preocupações com a eficácia da política monetária em estimular um crescimento mais forte", lê-se no documento, que acrescenta: "O relatório apresenta uma ferramenta para quantificar os riscos para as perspetivas mundiais e revela que estão mais inclinados para o lado negativo do que [nas previsões] em janeiro”.