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Dólar dispara para 3,18 euros nas ruas de Luanda

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Em Angola também aumentou o receio de vender dinheiro norte-americano nas ruas na 'candonga', face às apreensões da polícia

O preço por um dólar norte-americano nas ruas de Luanda voltou a aproximar-se dos 600 kwanzas (3,18 euros) nos últimos dias, continuando muito acima da taxa de câmbio oficial, que ronda os 166 kwanzas.

Numa ronda feita esta terça-feira pelas ruas de Luanda, a agência Lusa constatou também o agravamento dos receios de quem vende dólares relativamente à polícia, face ao aumento das ações de fiscalização nos últimos dias, com detenções e apreensão de moeda estrangeira.

A situação é relatada de forma anónima pelas mulheres que vendem divisas na rua, conhecidas como 'kinguilas', que admitem desconfiar de qualquer abordagem, por recearem tratar-se de polícias à civil.

"A polícia está a apertar muito. Também não há dinheiro, kwanzas, e arranjar dólares é muito difícil, com muita procura", justificou uma destas mulheres.

Apesar de ilegal, por não haver qualquer controlo ou sequer pagamento de impostos, a venda de dólares na rua, especulativa, é há vários meses a única forma de aceder a divisas em Angola, tendo em conta as restrições na banca comercial, decorrentes da crise financeira, económica e cambial decorrente da quebra nas receitas petrolíferas.

Depois de na semana anterior a nota de dólar ter descido 15%, para menos de 500 kwanzas, regista-se agora nova subida nas ruas.

Nas ruas, há quem venda uma nota de dólar a 610 kwanzas no bairro do São Paulo e a 590 kwanzas na Mutamba. Noutra zona do centro de Luanda era possível comprar a mesma nota norte-americana por 550 kwanzas, no bairro do Prenda, e por 580 kwanzas nos Mártires do Kifangondo.

Banco Nacional de Angola pediu mais controlo do mercado informal

O Banco Nacional de Angola (BNA) recomendou em maio passado às "autoridades competentes" um "maior controlo e responsabilização dos agentes promotores do mercado informal de moeda estrangeira", ao mesmo tempo que pretende que a supervisão do banco central seja "mais atuante e enérgica na preservação da ética e cumprimento das normas do sistema financeiro".

A crise provocada pela quebra na cotação internacional do barril de crude levou o Governo angolano a acelerar, em janeiro, o programa de diversificação da economia nacional, tendo solicitado em abril um programa de assistência, com um possível envelope financeiro, ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os termos desse apoio serão definidos durante a visita de trabalho da equipa do FMI, que arrancou na quarta-feira passada, em Luanda.

As reuniões decorrem até 14 de junho e envolvem contactos da delegação do FMI com responsáveis dos ministérios das Finanças, da Economia, do Planeamento e Desenvolvimento Territorial e do Comércio, BNA, Sonangol e bancos públicos e privados, entre outras entidades.