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Açúcar e Brasil castigam o grupo RAR

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O desempenho da Colep no Brasil e o negócio do açúcar azedam os resultados da RAR. Em 2015 registou perdas, pela quarta vez esta década. No Brasil, ficou dono único da operação.

A RAR, um dos maiores grupos portugueses de raíz industrial, voltou em 2015, a registar prejuízos (6,7 milhões de euros), sofrendo com o desempenho da sua unidade de açúcar e da operação da Colep no Brasil. Este é o quarto exercício negativo da década e o que atinge uma maior dimensão.

Esta década, a RAR, de João Nuno Macedo Silva, registou lucros apenas em 2010 (3 milhões) e 2014 (2,5 milhões). As perdas acumuladas nos restantes exercícios somam os 20 milhões. No triénio 2011/13, o conglomerado acumulara 11,3 milhões de perdas.

Receita de 860 milhões

Com a alienação da Imperial (chocolates) e da participação de 50 por cento na Geostar (viagens), a RAR ficou mas longe de bater a cifra mágica dos 1000 milhões de receita consolidada.

No exercício de 2015, a soma dos negócios de embalagens (Colep), açúcar (RAR Acúcar), agro-alimentar (Vitacress), trading (Acembex) e imobiliário atingiram os 860 milhões de euros. A Colep representa perto de 60% da receita do grupo.

Em 2015, o resultado operacional foi de 12 milhões de euros ( o EBITDA foi de 40 milhões), sustentado, segundo a empresa, pelo desempenho da Colep Europa e da Vitacress.

O negócio do açúcar, a origem do grupo que se tornou numa multinacional, é o que se revela mais amargo. João Nuno Macedo Silva regista que a subsidiária “melhorou a rentabilidade operacional”, mas “a penalização excecional decorrente da rescisão de contratos de compra de rama” afetou os resultados. A exploração operacional (EBITDA) voltou a ser negativa (5,7 milhões).

Colep desfaz parcerias no Brasil

No universo Colep, com bases fabris em vários mercados, o Brasil foi a nota dissonante num ambiente feliz. A operação europeia correu bem, “com a divisão de packaging a atingir valores recordes e a divisão de consumer products a crescer e a conseguir novos contratos com empresas multinacionais”, assinala a RAR.

Mas, a operação no Brasil sofreu com a “acentuada redução de consumos”. A RAR optou por desfazer as parcerias no Brasil (tinha 51% em cada uma) e ficar dona única dos negócios.

A aquisição da totalidade do capital permite “acelerar o programa de integração das operações fabris num modelo similar ao do restante universo Colep”. A ofensiva da Colep no Brasil verificara-se em 2010, com a entrada no capital de duas empresas de contract manufacturing de São Paulo, a Provider e a Total Pack.