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Moody's admite rever em baixa rating da CGD

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Nuno Fox

A decisão será influenciada pela dimensão de capital a injetar na Caixa Geral de Depósitos

A agência de notação financeira Moody's admitiu esta segunda-feira rever em baixa o rating da Caixa Geral de Depósitos (CGD), afirmando que essa revisão será influenciada pela dimensão de capital a injetar no banco público.

“A Moody's colocou o rating atribuído à dívida da CGD sob processo de revisão em baixa”, anunciou a agência de notação norte-americana, que atribui ao banco a nota ‘B1’, o que equivale ao quarto nível de ‘lixo’.

A Moody's prevê concluir a revisão do rating da CGD “assim que tiver mais informação sobre a dimensão da injeção de capital público no banco e da extensão das medidas de reestruturação previstas como parte necessária para a injeção de capital”, afirma, esperando “alcançar mais clareza” sobre este assunto até ao final deste ano.

Para a agência de notação, a possível revisão em baixa da nota atribuída ao banco público reflete “os riscos negativos” que as análises da agência demonstraram, tendo em consideração o balanço do banco no final de 2015 e o seu plano de financiamento no curto prazo.

A Moody's aponta ainda a capacidade “muito fraca” de enfrentar choques e as “margens reduzidas” de capital face aos requisitos prudenciais definidos pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Banco de Portugal.

A comissária europeia da Concorrência disse esta segunda-feira que Bruxelas não tem preconceitos com a propriedade pública dos bancos e que, se o Governo português investir “como um privado”, pode injetar verbas estatais na Caixa Geral de Depósitos.

Em entrevista à TSF/DN/JN/Dinheiro Vivo divulgada esta segunda-feira, a comissária Margrethe Vestager explica que, “como uma questão de princípio, um Estado pode investir”, não tendo de ser necessariamente uma ‘ajuda de Estado’.

“Se o Estado investir como um investidor privado o faria, bem, isso é excelente para nós, e, claro, não é ‘ajuda de Estado’”, afirmou a comissária, sublinhando que no executivo comunitário “não existe qualquer tipo de preconceito em relação à propriedade pública de um banco”.

Em final de maio, o ministro das Finanças, Mário Centeno, disse que ainda não estava decidido o montante da injeção de capital na CGD.

“Ainda não está decidido o montante. O processo de capitalização da Caixa é um processo que já vem de trás. Está a ser debatido com as instituições europeias, quer com a Direção Geral da Concorrência, quer com o BCE e o Mecanismo Único de Supervisão, e percorrerá os seus trâmites normais nessa dimensão”, declarou então Mário Centeno.