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Juros da dívida dos periféricos em alta. Mas estão abaixo dos máximos do ano

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Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos subiram até 3,24% no mercado secundário durante a sessão desta segunda-feira, numa semana em que o IGCP realiza dois leilões obrigacionistas. Juros sobem nos periféricos, mas estão longe dos máximos registados em fevereiro aquando da crise grega

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das obrigações dos periféricos do euro no prazo de referência, a 10 anos, fecharam esta segunda-feira em alta no mercado secundário da dívida soberana. Destacaram-se na subida as yields das obrigações irlandesas e gregas que subiram seis pontos base em relação ao fecho da semana passada.

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT), naquele prazo de referência, foram as que registaram a menor subida no mercado secundário, fechando em 3,2%, um aumento de três pontos base em relação a 3 de junho. Mas chegaram a 3,24% durante a sessão. As yields das OT a 10 anos ultrapassaram a barreira dos 3% a 21 de janeiro.

IGCP regressa a leilões de OT a 8 de junho

Portugal regressa ao mercado obrigacionista com dois leilões na quarta-feira das linhas que vencem em 2021 e 2025 (esta última servia de referência a 10 anos antes do lançamento em janeiro da linha que vence em 2026). O IGCP, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Divida Pública, espera colocar nas duas reaberturas entre 750 a 1000 milhões de euros. Nas duas últimas operações similares, o IGCP emitiu 504 milhões de euros na reabertura da linha que vence em 2021, pagando 1,84% de taxa aos investidores, e 995 milhões de euros na linha que vence em 2015, pagando então 1,91%.

A marcar a sessão desta segunda-feira o facto das yields das obrigações alemãs a 10 anos terem subido para 0,087%, saindo do mínimo histórico de 0,068% registado na sexta-feira passada.

O prémio de risco da dívida dos periféricos subiu esta segunda-feira, com exceção de Portugal, cujo risco se manteve em 311 pontos base (o equivalente a um diferencial de 3,11 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã).

As diferenças de risco são muito significativas dentro dos periféricos: o mais baixo é o da Irlanda, em 70,5 pontos base (menos de um ponto percentual em relação ao custo de financiamento da dívida alemã), e o mais elevado o da Grécia, em 728 pontos base (mais de sete pontos percentuais de diferença). O prémio de risco da dívida portuguesa é mais do dobro do registado para Espanha (que regista 143 pontos base) e quase duas vezes e meia superior ao verificado para Itália (130 pontos base).

Apesar da subida das yields, os níveis atuais no prazo de referência estão ainda distantes dos máximos já registados este ano em fevereiro para Espanha, Grécia, Itália e Portugal. Na ocasião, registaram-se picos em virtude da crise grega e do seu contágio, contexto que, no caso português, foi agravado pela reação negativa internacional à decisão do Banco de Portugal em transferir dívida sénior do Novo Banco para o “banco mau” do BES. Os picos deste ano, nas yields no prazo a 10 anos, registados a 11 de fevereiro, foram 11,7% para as obrigações gregas, mais de 4% para as OT, 1,8% para as obrigações espanholas e 1,7% para as obrigações italianas. O máximo do ano para as obrigações irlandesas registou-se no início de janeiro acima de 1%.

Frente grega acalma

Depois da aprovação pelo Parlamento helénico das “correções” a legislação recente exigidas pelo Eurogrupo, Atenas aguarda que o Grupo de Trabalho do Euro (que prepara as reuniões dos 19 ministros da Finanças da moeda única) dê por concluído entre hoje e amanhã o primeiro exame ao terceiro resgate.

Essa luz verde permitirá à reunião do Eurogrupo a 16 de junho abrir o caminho para o Mecanismo Europeu de Estabilidade desembolsar a primeira parte no valor de 7,5 mil milhões de euros da segunda tranche de financiamento, o que afastará o risco de um incumprimento seletivo do Tesouro grego em relação ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Central Europeu (BCE) durante este verão.

No entanto, alguns parlamentos da zona euro terão de ratificar a decisão, em que se incluem os da Alemanha, Áustria, Eslováquia, Estónia, Finlândia e Holanda. Não são esperadas surpresas, refere Manos Giakoumis, economista-chefe do site grego Macropolis. Na sequência destes passos, espera-se que o BCE levante ainda este mês a suspensão do uso de dívida grega como colateral pelos bancos gregos junto das linhas de financiamento normais do BCE, e que os bancos helénicos possam já participar a 22 de junho no primeiro leilão da segunda edição da linha TLTRO. A suspensão estava em vigor desde fevereiro de 2015.

No radar dos investidores estão a segunda volta de eleições municipais em Itália (nomeadamente em Milão, Roma e Turim) a 19 de junho e as suas repercussões políticas no xadrez político transalpino, o referendo da permanência ou saída do Reino Unido da União Europeia – com sondagens deste fim de semana a darem vantagem ao Brexit (saída) – a 23 de junho, os resultados das eleições legislativas em Espanha a 26 de junho, e o andamento do processo de eventual aplicação de sanções pela Comissão Europeia a Espanha e Portugal.