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1,5 milhões de euros para reinventar frango assado

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Os sócios João Cota Dias e David Igrejas na Rua Luís de Camões, em Alcântara, Lisboa, localização escolhida para a abertura da quarta

Luis Barra

Sócios do Prego Gourmet continuam na modernização de conceitos portugueses. Agora é a vez das churrasqueiras

Chama-se Churra e quer reinventar as churrasqueiras de bairro, alargando a oferta para lá do frango assado e apostando numa estratégia de crescimento em cadeia.

A nova marca de restauração é desenvolvida pelos sócios do Prego Gourmet, que se preparam para abrir a quarta Churra em Alcântara, Lisboa. Até ao final do ano querem ter 12 lojas, para as quais têm previsto um investimento de €1,5 milhões.

Ao contrário do conceito com o qual arrancaram na restauração (o Prego Gourmet), que se desenvolveu nas praças de alimentação dos centros comerciais, a Churra está a instalar-se em lojas de rua. “O nosso negócio é focado nas zonas residenciais. Apanhamos alguns turistas com este movimento do Airbnb, que também compram para levar para casa”, explica David Igrejas, um dos sócios do Prego Gourmet, que detém 75% da Churra, pertencendo os restantes 25% a um fundo de capital de risco do programa Revitalizar Sul.

A primeira loja abriu no Parque das Nações, em janeiro, à qual se seguiu outra em Algés, em março, e mais recentemente, em abril, em Benfica. “A nossa principal concorrência são as churrasqueiras de bairro e queremos manter essa relação com o bairro, melhorando o momento de consumo”, explica João Cota Dias, a outra metade do Prego Gourmet, que conta ainda com a participação da sociedade financeira Ardma SGPS.

Crescer em franchising

Ao frango grelhado no carvão, a Churra acrescenta peixe (salmão e bacalhau), salsicha, entremeada, bifes de carne maturada e hambúrgueres, bem como uma zona de espera com mesa e música ambiente. Ao fim de quatro meses com o conceito a funcionar, João Cota Dias avança que as vendas estão dentro dos objetivos e cada loja Churra vende, em média, entre €20 mil e €25 mil por mês. No final do primeiro ano, o objetivo é ter 12 lojas.

Questionado sobre o facto de a Churra poder destruir as pequenas churrasqueiras de bairro (tendo em conta que pratica preços mais baixos), João Cota Dias avança que pondera a hipótese de se juntarem a esses comerciantes, num formato de franchising, em que “vão ganhar na imagem e na escala”, argumenta. Em termos de expansão, porém, a estratégia é crescer com lojas próprias, à semelhança do formato seguido com o Prego Gourmet, que foi lançado em 2011.

A internacionalização é outro dos caminhos, com os olhos postos nos países de língua portuguesa, em função das oportunidades que forem surgindo. Neste caso, as novas aberturas serão feitas em sociedade com um parceiro local. Já com o Prego Gourmet tinham tentado dar o salto para fora de Portugal, em 2014, mas sem sucesso. “Analisámos Nova Iorque, mas não fomos. Em 2014 acabámos a fazer o mercado de Campo de Ourique. Agora queremos estabilizar este projeto”, recorda João Cota Dias.

Em Portugal, os dois sócios olham para a explosão do turismo como uma oportunidade, apesar de estar a fazer disparar o custo do arrendamento de lojas. Em relação ao IVA a 23%, David Igrejas argumenta que isso interfere com o negócio, mas não é um impedimento. “O negócio (da restauração) em todo o mundo está com margens curtas”, argumenta.

João Cota Dias avança que, no futuro, o objetivo é desenvolver novos conceitos e importar outros vindos de fora, que ainda não estão identificados, dentro do segmento fast casual dining — “comida com a qualidade da restauração tradicional, mas mais barata”, explica, acrescentando que Portugal é um bom laboratório para testar restauração. “Somos muito exigentes e temos regras apertadas em termos de qualidade”, sustenta.