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Manuel Fernando Espírito Santo desconhecia manipulação do passivo da ESI

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Alberto Frias

Antigo administrador do BES foi absolvido pelo Banco de Portugal no processo relativo à venda de papel comercial da Espírito Santo International. Na sua defesa afastou responsabilidades no processo

Manuel Fernando Espírito Santo, ex-administrador do Banco Espírito Santo (BES), era suspeito da prática de atos dolosos de gestão ruinosa, mas o Banco de Portugal acabou por absolvê-lo no processo sobre o papel comercial do GES, no qual disse desconhecer a manipulação das contas da ESI.

Segundo os documentos consultados pelo Expresso, Manuel Fernando Espírito Santo disse, durante a sua defesa, que nunca tomou qualquer decisão relativa à ocultação de passivo da Espírito Santo International (ESI), sabendo apenas que Ricardo Salgado revelara um "erro contabilístico".

Relativamente à colocação de títulos de dívida da ESI junto de clientes institucionais, Manuel Fernando Espírito Santo afirmou perante o Banco de Portugal que se limitou a assinar, enquanto administrador da ESI, os documentos preparados pela ES Services, tendo sido Ricardo Salgado quem esteve diretamente envolvido nas negociações de colocação daqueles títulos.

Embora admita que o contabilista Francisco Machado da Cruz lhe falou nas dificuldades financeiras das holdings do GES, Manuel Fernando negou, perante o supervisor, que tivesse conhecimento detalhado da situação financeira da ESI e que tivesse conhecimento da "real dimensão do problema" de endividamento das holdins do GES.

Manuel Fernando Espírito Santo alegou ainda que não controlava a área financeira da ESI, já que essa matéria era da responsabilidade de Ricardo Salgado.