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Juros da dívida sobem para Espanha e Portugal. Alemanha com mínimo histórico

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Os juros das obrigações espanholas e portuguesas a 10 anos registaram as maiores subidas semanais na zona euro. Juros das obrigações alemãs no prazo de referência caíram para 0,07%, novo mínimo histórico. Dívida obrigacionista alemã, holandesa e finlandesa com taxa efetiva negativa

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das obrigações espanholas e portuguesas no prazo de referência a 10 anos registaram esta semana as maiores subidas no mercado secundário da dívida soberana da zona euro. Subiram respetivamente 16 e 12 pontos base entre 27 de maio e 3 de junho, enquanto as gregas aumentaram quatro pontos base, as italianas desceram três pontos base e as irlandesas quatro pontos base.

Em contraste, as yields das obrigações alemãs a 10 anos, conhecidas por Bunds, desceram sete pontos base durante a semana, caindo para 0,068%, um novo mínimo histórico.

Espanha e Portugal destacaram-se pela negativa no prazo de referência da dívida obrigacionista. As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) subiram de 3,06% a 27 de maio para 3,18% no fecho de 3 de junho. No caso espanhol, aumentaram de 1,31% para 1,47% no mesmo período.

Estes movimentos, de sinal contrário, ocorreram na semana em que o Banco Central Europeu realizou a reunião do conselho não tendo mexido nas taxas de juro. O seu presidente Mario Draghi anunciou o arranque a 8 de junho do novo programa de compra de dívida obrigacionista de empresas não financeiras da zona euro e o lançamento de um primeiro leilão para dia 22 da segunda série da linha de financiamento condicionado aos bancos da zona euro conhecida pela sigla TLTRO.

Prémio de risco português acima de três pontos percentuais

Em virtude da quebra nas yields das Bunds, que servem de referência, o prémio de risco da dívida espanhola e portuguesa aumentou significativamente esta semana.

O prémio para a dívida portuguesa subiu 19 pontos base situando-se no final da semana em 311 pontos base – o equivalente a um diferencial de 3,11 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã.

O prémio de risco da dívida portuguesa regressou ao patamar dos 300 pontos, o que já não se registava desde 16 de maio. O pico recente deste prémio verificou-se em fevereiro, atingindo 397 pontos durante o dia 11 daquele mês. Uma ‘quinta-feira negra’, quando as yields das OT a 10 anos dispararam para 4,53%, em virtude do impacto negativo da reação dos meios financeiros internacionais à decisão do Banco de Portugal, em dezembro, ao transferir dívida sénior do Novo Banco para o “banco mau” do BES e se temia que a ISDA - Associação Internacional de Swaps e Derivados - pudesse considerar tal decisão como implicando um “evento de crédito” (um incumprimento). A 5 de outubro do ano passado, após as eleições legislativas, o prémio estava em 175 pontos base e no final do ano passado subiu para 190 pontos base.

Para a dívida espanhola, o prémio aumentou 23 pontos base, passando de 117 pontos base para 140 pontos base entre 27 de maio e 3 de junho.

Grécia à espera de fechar primeiro “exame”

Apesar do fecho do primeiro exame ao terceiro resgate grego estar em fase de conclusão, as yields das obrigações gregas subiram durante a semana quatro pontos base, fechado em 7,31% e o prémio de risco aumentou 12 pontos base situando-se em mais de sete pontos percentuais acima do custo de financiamento da dívida alemã.

O Parlamento helénico aprovou na quinta-feira à noite cinco emendas aos pacotes legislativos anteriores, abrindo caminho para que o Grupo de Trabalho do Euro (entidade que prepara as reuniões do Eurogrupo, o órgão dos 19 ministros do euro), provavelmente já na segunda-feira, possa dar luz verde ao Mecanismo Europeu de Estabilidade para desembolsar a primeira parte de 7,5 mil milhões de euros da segunda tranche de financiamento a Atenas no âmbito do terceiro resgate.

Rentabilidade anual da dívida portuguesa passou a terreno positivo

O retorno de toda a dívida obrigacionista portuguesa nas últimas 52 semanas passou a terreno positivo no final da semana, segundo o índice da Bloomberg (Bloomberg Global Benchmark Sovereign Bond Indices).

Ainda no final de maio, a rentabilidade anual registava -0,34%, subindo para 0,92% no fecho de 3 de junho. Saiu do vermelho, mas está muito distante da rentabilidade anual média na zona euro, que registava 6,58% no final de sexta-feira, ou do retorno anual para a dívida espanhola que subiu para 6,32%, ou para a dívida italiana que aumentou para 7,15%.

A rentabilidade anual média de toda a dívida obrigacionista da zona euro subiu de 3,67% para 6,58% desde final de maio, uma trajetória de melhoria que se observou em todos os membros do euro, com exceção da Grécia, que lidera, mas cujo retorno anual caiu de 41,07% para 34,51%.

Alemanha, Holanda e Finlândia com taxa média negativa

No final da semana, a dívida obrigacionista do conjunto dos membros da zona euro registava uma yield efetiva de 0,45%, mas a diversidade no espaço da moeda única é marcante, segundo os índices da Bloomberg (Bloomberg Global Benchmark Sovereign Bond Indices). A yield efetiva (yield total que um investidor recebe assumindo que reinveste o cupão quando recebe o pagamento dos juros) é distinta da yield nominal (que observamos no mercado secundário) e não é assimilável ao custo médio anual do stock das dívidas soberanas (que abrange dívida obrigacionista, bilhetes do Tesouro, empréstimos, como os dos resgates, e outros instrumentos de dívida).

No fecho de sexta-feira, a yield efetiva para a dívida obrigacionista portuguesa estava em 2,2% abrangendo 15 emissões com uma maturidade média de 7,5 anos, enquanto para a Alemanha, Holanda e Finlândia era negativa. A yield efetiva mais alta, na zona do euro, regista-se para a Grécia, atualmente em 7,41% para o conjunto da sua dívida obrigacionista que abrange 22 emissões com uma média de maturidades de 12,46 anos.

A yield efetiva para a dívida obrigacionista alemã era de -0,15% e para a holandesa e finlandesa situava-se em -0,02%. O que significa que, em média, para toda a dívida obrigacionista desses três países, os investidores em obrigações soberanas preferem “pagar” para a deter em carteira. No caso da Alemanha, as taxas negativas nominais no mercado secundário abrangem as obrigações com prazos até nove anos inclusive.

  • Os juros da dívida portuguesa a 10 anos fecharam no mercado secundário esta quinta-feira em 3,18% e o prémio de risco subiu acima dos três pontos percentuais o que já não sucedia desde 17 de maio. Só os juros da Grécia subiram na sessão de hoje marcada pela reunião do BCE