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José Manuel Espírito Santo diz que Salgado era o principal responsável pela gestão do GES

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Alberto Frias

Primo de Ricardo Salgado demarca-se das acusações que o Banco de Portugal lhe fez, refugiando-se na responsabilidade que Salgado tinha e na confiança que depositava nele

José Manuel Espírito Santo, ex-administrador do Banco Espírito Santo (BES), assentou a sua defesa no processo de contraordenação do Banco de Portugal na ideia de que não tinha funções nas áreas que o supervisor investigou no âmbito da venda de papel comercial da Espírito Santo International (ESI) a clientes do BES.

O antigo administrador sublinhou que era o seu primo Ricardo Salgado quem liderava as atividades relacionadas com contabilidade, assuntos financeiros, tesouraria e investimento. Salgado, em quem José Manuel disse depositar especial confiança, era quem tinha a responsabilidade principal pela gestão financeira do Grupo Espírito Santo (GES), notou ainda aquele membro da família.

José Manuel Espírito Santo afirmou desconhecer a falsificação das contas da ESI ou ter contribuído para essa manipulação. E negou também que o contabilista Francisco Machado da Cruz o tivesse informado dessa matéria. Mais: José Manuel diz que numa ida do contabilista ao Conselho Superior do GES, onde era suposto explicar as suas preocupações, "Ricardo Salgado não autorizou a sua entrada" e Machado da Cruz ficou à porta.

As condenações de José Manuel Espírito Santo dizem respeito a ilícitos de violação das regras sobre conflito de interesses e não implementação de um sistema de gestão de risco sólido e eficaz. O Banco de Portugal condenou-o a uma coima de 525 mil euros, mas metade deste valor fica suspenso durante cinco anos. Adicionalmente, fica inibido de exercer atividade na banca durante dois anos.

Relativamente à acusação de violação de regras sobre conflitos de interesses, José Manuel Espírito Santo negou ter quaisquer interesses antagónicos ou concorrentes com a colocação de dívida da ESI. E disse que dado o carácter familiar do GES vários membros da família tinham assento nos órgãos sociais do grupo e que os supervisores até 2014 nunca expressaram qualquer preocupação.

Durante a sua defesa, e confrontado com alegados atos de gestão ruinosa, o ex-administrador insiste que não tinha conhecimento da falsificação de contas da ESI, confiando que os valores inscritos nas demonstrações financeiras da empresa eram verdadeiros. Quanto ao sistema de controlo de risco, diz que era sua convicção que o BES dispunha de um adequado sistema e de que teriam sido "cumpridos os procedimentos recomendados para a avaliação dos riscos intrínsecos nas operações de emissão de dívida quer para o BES quer para os clientes".

A este respeito, José Manuel Espírito Santo diz que na nota informativa sobre o papel comercial da ESI se referia que aquele produto não era garantido pelo BES ou por qualquer das suas participadas.

As condenações do Banco de Portugal no âmbito do processo de contraordenação sobre o papel comercial do Grupo Espírito Santo são passíveis de recurso para os tribunais.