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Isabel dos Santos lidera Sonangol e ganha poder

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Isabel dos Santos na Sonangol

Rui Duarte Silva

É uma reestruturação dentro do Estado, não haverá privatizações. BCP passa para Ministério das Finanças de Angola

Isabel dos Santos está cada vez mais poderosa em Angola. Os sinais são evidentes e estão em crescendo. A filha de José Eduardo dos Santos foi esta quinta-feira nomeada presidente do conselho de administração da Sonangol, a empresa mais importante do país, um Estado dentro do Estado. É a primeira vez que é escolhido alguém da família do Presidente da República de Angola para a liderança da Sonangol. Mas não é inédita a opção por um filho para assumir a presidência de um organismo de alta influência em Luanda: José Filomeno dos Santos é quem gere o Fundo Soberano de Angola. Se a petrolífera enfrenta problemas, o fundo soberano não está melhor. Teve, segundo o jornal “Expansão”, um prejuízo de 15 milhões de dólares no primeiro semestre de 2015, e as receitas que gera não chegam para as despesas.

Isabel dos Santos vai substituir Francisco de Lemos José Maria, um presidente discreto que sucedeu ao poderoso Manuel Vicente, o homem que durante anos desenhou as teias de poder da Sonangol, relevante acionista da Galp e do BCP, e importante parceira de empresas chinesas.

O tomar das rédeas da Sonangol por Isabel dos Santos não é totalmente surpresa, desde janeiro que se sabia que a empresária estava a liderar um projeto de reestruturação do grupo, mergulhado numa profunda crise, na sequência da quebra a pique do preço do petróleo e de uma gestão que estava a revelar-se problemática. Desde aí admitia-se que o poder dela na Sonangol iria ser enorme. A decisão está no entanto a causar mal-estar em alguns círculos, sabe o Expresso. Há, inclusive, um grupo de juristas angolanos que irá reunir-se em Luanda, este sábado, para analisar a possibilidade de impugnação judicial da nomeação de Isabel dos Santos para a presidência da Sonangol. Alegam improbidade pública. O advogado David Mendes, da associação cívica Mãos Livres, admitiu à agência Lusa que a nomeação da filha do Presidente pode violar a lei.

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