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Desce probabilidade de subida no verão das taxas de juro pela Fed

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Depois do “choque” gerado pelo desapontamento com os números de criação do emprego em maio nos Estados Unidos, os futuros das taxas de juro do banco central norte-americano provocaram uma queda a pique das probabilidades da sua subida pelo banco central nas próximas reuniões de junho e julho

Jorge Nascimento Rodrigues

A divulgação do número de maio da criação de emprego não agrícola na economia norte-americana provocou um “choque” nos mercados financeiros norte-americanos na sexta-feira. Um dos impactos foi imediato em Wall Street e outro provocou uma queda a pique das probabilidades de que a Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central dos Estados Unidos, se decida por um aumento das taxas de juro nas próximas reuniões de 15 de junho e 27 de julho.

O Departamento do Trabalhou dos EUA divulgou que, em maio, foram criados apenas 38 mil empregos fora do sector agrícola face a uma expetativa dos analistas de um aumento de 160 mil. É o volume mensal de criação de emprego mais baixo desde setembro de 2010. O organismo norte-americano reviu, também, significativamente em baixa os valores de criação de emprego em março e abril. Revelou, ainda, que a força de trabalho norte-americana baixou em quase meio milhão, por efeito de reformas, desencorajamento em procurar emprego, mesmo a tempo parcial e precário, e abandono efetivo da vida ativa.

Estimativas não oficiais, abrangendo critérios mais amplos do que o que baseia a taxa oficial que está em 4,7% (o que muitos consideram tecnicamente “pleno emprego”), apontam para um nível de desemprego real na ordem de 9,5% nos EUA. A taxa oficial é a mais baixa desde novembro de 2007 e situa-se abaixo da taxa média de 5,82% entre 1948 e 2016.

O “choque” do número divulgado pelo Departamento do Trabalho provocou perdas em Wall Street na sexta-feira com o índice Dow Jones 30 a cair 0,18% e o índice S&P 500 a recuar 0,29%.

No mercado dos futuros das taxas de juro, as probabilidades implícitas de uma decisão de subida daquelas taxas nas próximas reuniões de verão da Fed caíram a pique. Segundo os mercados de futuros, não se espera que a equipa de Janet Yellen opte por aumentar as taxas de juro a 15 de junho ou mesmo a 27 de julho, apesar de muitas declarações de responsáveis da Fed darem a entender que essas subidas estariam para breve.

Comparando as probabilidades registadas a 27 de maio e a 3 de junho, publicadas pelo “Countdown to FOMC” da CME, verifica-se que, para a próxima reunião de junho, a probabilidade caiu de 28% para 4%. Para a reunião de julho, a probabilidade desceu de 61% para 31% naquele período. Mesmo para a de setembro, desceu de 68% para 44%, e para a de novembro de 70% para 45%. Uma probabilidade superior a 50% só se regista para a reunião de 21 de dezembro, mas, mesmo nesse caso, desceu de 80% para 61% em uma semana.

A Fed decidiu aumentar em dezembro passado as taxas de juro de referência que variavam num intervalo entre 0% e 0,25% desde dezembro de 2008 para 0,25% a 0,5% e as reuniões do seu comité de política monetária começaram por prever quatro subidas em 2016, ainda que não “mecânicas” nem idênticas, e, depois, apenas duas, em função do andamento da economia norte-americana, em particular tendo em conta a evolução da taxa de desemprego e a inflação, os dois parâmetros em que se baseia a política monetária norte-americana.

Nos EUA, a taxa de desemprego oficial desceu para 4,7% em maio (na zona euro, em abril, estava em 10,2%, último valor conhecido) e a inflação anual registava 1,1% em abril (-0,1% em maio na zona euro; para os EUA ainda não há estimativa para maio). A taxa de desemprego estará, segundo alguns economistas, já tecnicamente em terreno de pleno emprego, um bom sinal para a Fed, mas a inflação ainda está distante da meta de 2%. De qualquer modo, a situação nos EUA é incomparavelmente melhor do que a que ainda se regista na zona euro nos dois indicadores.