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Ricardo Salgado vai ter de pagar €4 milhões

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Luís Barra

Ex-presidente do BES leva a condenação mais pesada do Banco de Portugal no processo sobre a venda de papel comercial do Grupo Espírito Santo a clientes do banco

O ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, foi condenado pelo Banco de Portugal a pagar uma multa de quatro milhões de euros, ficando inibido de exercer qualquer atividade no sector financeiro pelo período de 10 anos, no âmbito do processo de contraordenação instaurado pelo supervisor a 15 administradores do banco.

A condenação de Salgado resulta da investigação do Banco de Portugal sobre a colocação em larga escala de dívida (papel comercial) da Espírito Santo International (ESI) junto de clientes do BES e da gestora de ativos do grupo, a ESAF.

O Expresso apurou que o Banco de Portugal reconstruiu o processo de falsificação das contas da ESI desde 2008. Possível graças a uma investigação que teve mais de 100 testemunhas e que resultou num processo de 800 páginas. Mas foram os depoimentos de Castela e Machado da Cruz que mais ajudaram a desvendar todo o processo de ocultação da dívida da empresa do universo Espírito Santo.

Salgado leva a pena mais pesada, sendo condenado por cinco ilícitos: não implementação de um sistema de informação e comunicação, com dolo, não implementação de um sistema de gestão de risco sólido e eficaz, com dolo, prática de atos dolosos de gestão ruinosa, prestação de falsas informações, violação das regras sobre conflito de interesses. Neste conjunto de irregularidades o Banco de Portugal aplicou a Ricardo Salgado sanções totais de 5,5 milhões de euros, mas o valor máximo permitido para a altura dos factos é um cúmulo de quatro milhões de euros.

As condenações do Banco de Portugal são passíveis de recurso para os tribunais.

Não perca esta sábado na edição impressa do Expresso as revelações completas sobre o processo do Banco de Portugal aos ex-administradores do BES.