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Juros da dívida em alta em dia de reunião do BCE

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Os juros das Obrigações do Tesouro português subiram na abertura desta quinta-feira para 3,15%. O movimento em alta abrange Espanha, Irlanda e Itália. O Banco Central Europeu reúne-se em Viena. Expetativa sobre a Grécia. Não está garantido que Draghi dê luz verde aos bancos gregos para voltarem a usar a dívida helénica como colateral

Jorge Nascimento Rodrigues

Regista-se esta quinta-feira um movimento em alta no mercado secundário da dívida soberana nas yields da dívida obrigacionista de quatro periféricos da zona euro, Espanha, Irlanda, Itália e Portugal. A subida é liderada por Portugal.

Na abertura desta quinta-feira, em que se reúne, em Viena, o Banco Central Europeu (BCE), as yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, subiram para 3,15%. No dia anterior fecharam em 3,13%, seis pontos base acima do valor de encerramento na semana passada. A subida acumulada desde sexta-feira é de nove pontos base.

Com quatro pontos base de subida acumulada desde sexta-feira situam-se as yields das obrigações irlandesas e italianas naquele prazo de referência. No caso das obrigações espanholas, o aumento foi de três pontos base e para as obrigações gregas a subida foi apenas de um ponto base.

BCE poderá adiar decisões sobre Grécia

Não se aguardam mexidas no quadro das taxas de juro pelo BCE, mas, no que respeita aos periféricos da zona euro, há expetativa sobre a decisão que a equipa de Mario Draghi vai tomar esta manhã sobre a Grécia.

A maioria dos analistas afasta a possibilidade de o banco central da moeda única decidir hoje incluir a dívida obrigacionista helénica no programa de compras de títulos de dívida pública que está em vigor desde março de 2015 para os restantes membros do euro. O analista grego Manos Giakoumis, economista-chefe do site Macropolis, afirma que, também, não está claro se as empresas helénicas poderão ser integradas no programa de aquisições pelo BCE nos mercados primário e secundário de dívida obrigacionista empresarial que arranca este mês.

O próprio restabelecimento da dispensa de requisitos de notação de crédito para as obrigações gregas que os bancos locais possam apresentar como colateral está em dúvida. A suspensão da isenção foi imposta como medida de força sobre o sistema bancário grego e o governo de Atenas em fevereiro do ano passado. O economista grego Yiannis Mouzakis calcula que o regresso da isenção baixe os custos de financiamento dos bancos gregos na captação de uma liquidez num montante de 4,5 mil milhões de euros. E o analista norte-americano Marc Chandler estima que essa reversão possa poupar à banca helénica 500 milhões de euros de juros por ano.

No entanto, citando fonte oficial europeia, o jornal grego Kathimerini refere que tal decisão só deverá ser tomada após a conclusão efetiva do primeiro exame ao terceiro resgate, que está pendente da aprovação no Parlamento helénico de três “correções” a legislação recentemente aprovada em Atenas. O Parlamento discutirá essas medidas adicionais provavelmente no fim de semana e espera-se que a reunião do Grupo de Trabalho do Euro (que prepara as reuniões do Eurogrupo) na quinta-feira da próxima semana dê luz verde ao fecho do exame.

As yields das obrigações gregas a 10 anos registaram um mínimo do ano de 6,976% em 25 de maio no mercado secundário, mas regressaram às subidas. Na abertura desta quinta-feira, registavam 7,28%, o mesmo valor do fecho do dia anterior.

  • Bolsas iniciam junho no vermelho

    O conjunto das praças financeiras mundiais fechou no vermelho no primeiro dia de junho. O índice mundial MSCI caiu 0,10%. A Europa foi a região mais penalizada na quarta-feira. Nova Iorque escapou. Tóquio liderou as perdas na quarta-feira e agravou a queda esta quinta-feira. Hoje Ásia Pacífico recuou, de novo, mas Europa abriu “mista” à espera de reuniões do BCE e OPEP