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Grécia. Bancos voltarão a poder usar dívida pública, logo que “exame” esteja concluído

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Mario Draghi garantiu esta quinta-feira que os bancos gregos voltarão a ser autorizados a usar a dívida grega como colateral logo que as "correções" exigidas pelo Eurogrupo a Atenas estejam concretizadas. Mas essa decisão só será tomada em nova reunião do BCE e depois do Mecanismo Europeu de Estabilidade tomar a sua decisão

Jorge Nascimento Rodrigues

Mario Draghi adiantou esta quinta-feira que o restabelecimento da dispensa de requisitos de notação de crédito para as obrigações gregas que os bancos locais possam apresentar como colateral será concretizado logo que o primeiro exame ao resgate de Atenas esteja concluído.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE) precisou que tal decisão terá de ser tomada por nova reunião do conselho do banco central e depois do Mecanismo Europeu de Estabilidade (que gere os fundos de resgate) tomar a sua decisão. O analista Manos Giakoumis, economista-chefe do site grego Macropolis, estima que a decisão possa ser tomada, o mais tardar, na próxima reunião de política monetária do conselho em julho, mas esta previsão carece de confirmação. A afirmação de Draghi não foi clara e, nessa medida, a decisão poderá ser tomada em reuniões do BCE não destinadas à politica monetária. A próxima desse tipo está marcada para 22 de junho, recorda o analista grego.

Para a conclusão do primeiro exame, o Parlamento helénico terá de aprovar as "correções" a legislação anterior que o Eurogrupo exigiu num Memorando de Entendimento adicional. O governo grego aninciou esta quinta-feira que colocará no Parlamento a legislação adicional ainda hoje, onde espera obter uma votação maioritária. O governo de Alexis Tsipras tem tido os votos de uma maioria de 153 deputados em 300 para a aprovação dos pacotes que têm sido exigidos pelo Eurogrupo no âmbito do terceiro resgate à Grécia.

A suspensão da isenção foi imposta como medida de força sobre o sistema bancário grego e o governo de Atenas em fevereiro do ano passado. Desde a supensão, os bancos helénicos têm sido obrigados a recorrer ao mecanismo de assistência de liquidez de emergência, que impõe taxas de juro mais elevadas do que as de referência do BCE, em média um adicional de 100 a 150 pontos base (o equivalente a 1 a 21,5 pontos percentuais).

Contas feitas pelo Macropolis, os bancos gregos têm em carteira 6,1 mil milhões de euros em obrigações públicas e 7,7 mil milhões de euros em bilhetes do Tesouro, dos quais serão elegíveis 9,3 mil milhões de euros. Aplicando os critérios do BCE, essa carteira poderá corresponder a uma liquidez de 5,1 mil milhões de euros, que poderá subir para 6 a 7 mil milhões se o BCE decidir baixar o haircut (cerca de 45%) que tem aplicado.

O economista grego Yiannis Mouzakis calcula que o regresso da isenção baixe os custos de financiamento dos bancos gregos na captação de uma liquidez num montante de 4,5 mil milhões de euros. E o analista norte-americano Marc Chandler estima que essa reversão possa poupar à banca helénica 500 milhões de euros de juros por ano.

Draghi não se referiu à possibilidade da dívida grega ser integrada no programa de compra de titulos públicos no mercado secundário em curso desde março de 2015 para os restantes membros do euro.

Em intervenção recente, o governador do banco central grego, Yannis Stournaras, calcula que o levantamento da suspensão e a integração da dívida grega no programa de compras de títulos pelo BCE poderá ter “um impacto positivo potencial de 400 a 500 milhões de euros nos resultados dos bancos gregos em 2017”.

  • O conselho do Banco Central Europeu reunido em Viena decidiu manter inalterado o quadro de taxas de juro, com a taxa de referência em 0%. A partir de 8 de junho, o BCE começará a comprar dívida obrigacionista de empresas não financeiras

  • A equipa de Mario Draghi está reunida esta manhã em Viena. O conselho do banco não deverá alterar os juros, mas deflação, Brexit, Grécia, críticas aos estímulos, e previsões macroeconómicas estarão em foco. Expetativa em relação à conferência de imprensa ao início da tarde