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Bolsas iniciam junho no vermelho

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O conjunto das praças financeiras mundiais fechou no vermelho no primeiro dia de junho. O índice mundial MSCI caiu 0,10%. A Europa foi a região mais penalizada na quarta-feira. Nova Iorque escapou. Tóquio liderou as perdas na quarta-feira e agravou a queda esta quinta-feira. Hoje Ásia Pacífico recuou, de novo, mas Europa abriu “mista” à espera de reuniões do BCE e OPEP

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais fecharam no vermelho no primeiro dia de junho. O índice mundial MSCI, que abrange as 46 principais praças financeiras em mercados desenvolvidos e emergentes, recuou 0,10% na quarta-feira. O pior desempenho registou-se com a Europa, cujo índice MSCI perdeu 0,59%. O índice MSCI para a região da Ásia Pacífico caiu 0,22%, com o principal índice da bolsa de Tóquio, o Nikkei 225, a recuar 1,6%. Escaparam ao vermelho as bolsas de Nova Iorque, com o índice MSCI para os Estados Unidos a subir 0,13%, ainda que os índices Dow Jones 30 e geral do Nasdaq (a bolsa das tecnológicas) tenham ficado ligeiramente acima da linha de água.

Esta quinta-feira o sentimento pessimista agravou-se na bolsa de Tóquio. O índice Nikkei 225 perdeu 2,3%, agravando as perdas de ontem. Os investidores continuam a reagir negativamente ao anúncio pelo primeiro ministro japonês do adiamento para outubro de 2019 da subida da taxa do IVA de 8% para 10%. O aumento deveria ser concretizado em 2017 e os analistas encaram este novo adiamento como uma decisão eleitoralista que está a provocar a valorização do iene face ao dólar e a prejudicar o sector exportador nipónico. As bolsas de Sidney e Taipé fecharam, também, em terreno negativo. Os dois principais índices da bolsa de Mumbai negoceiam no vermelho.

No entanto, as praças de Seul, Xangai e Shenzhen encerraram em terreno positivo. Shenzhen destacou-se com o índice geral a subir quase 1%. Hong Kong negoceia também em terreno positivo, estando a ganhar perto de meio por cento. As praças financeiras chinesas estão animadas com a perspetiva do fornecedor global de índices financeiros MSCI vir a integrá-las num importante índice global. Recorde-se que, em capitalização, Xangai e Shenzhen situam-se entre as seis mais importantes do mundo, segundo dados da World Federation of Exchanges.

O índice MSCI para a Ásia Pacífico regista novo recuo esta quinta-feira. Estava a cair 0,4%, uma descida superior ao do dia anterior.

Europa à espera de BCE e OPEP

A Europa abriu esta quinta-feira “mista”, depois de ter liderado as quedas à escala mundial na quarta-feira. O índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) está ligeiramente acima da linha de água. A liderar as subidas, os índices Ibex 35 da bolsa de Madrid e MIB da bolsa de Milão, que, no dia anterior, haviam liderado as quedas nas principais praças financeiras europeias. Mas, os índices Dax de Frankfurt e Cac40 de Paris abriram no vermelho.

Na bolsa de Lisboa, o índice PSI 20 abriu em terreno positivo, estando a subir 0,4%, depois de no dia anterior ter liderado as quedas na Europa juntamente com o índice WIG 20 de Varsóvia, recuando mais de 2%.

Os futuros em Wall Street estão, também, em terreno negativo.

Os mercados europeus e norte-americano vão reagir ao desenrolar de duas reuniões importantes que se realizam esta quinta-feira em Viena.

O Banco Central Europeu reúne-se não se aguardando nenhuma alteração no quadro das taxas de juro, mas espera-se que Mario Draghi, o seu presidente, revele o sentimento da sua equipa em relação às previsões económicas para a zona euro que serão apresentadas pela equipa de especialistas do Eurosistema. A inflação na zona euro permanece em terreno negativo pelo segundo mês consecutivo e os efeitos dos programas de estímulos monetários do BCE têm estado envoltos em polémica. Draghi deverá, também, clarificar as expetativas do banco central em relação às duas novas medidas que entram em vigor este mês – um programa novo de compra de ativos pelo BCE nos mercados primário e secundário, agora dirigido à dívida obrigacionista das empresas não financeiras, e uma segunda edição da linha de financiamento a quatro anos para os bancos da zona euro conhecida pelo acrónimo em inglês TLTRO, cujo primeiro leilão se realizará a 23 de junho.

Viena vai ser, também, o palco da reunião do cartel petrolífero da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). O preço do barril de petróleo de Brent, que serve de referência internacional, fechou na quarta-feira em 49,73 dólares, uma subida de 0,08% em relação ao dia anterior. O preço do Brent atingiu um pico do ano a 31 de maio chegando a 50,73 dólares durante a sessão. Esta quinta-feira, o barril de Brent cotou-se em 49,66 dólares na abertura da sessão asiática e subiu para mais de 50 dólares na abertura dos mercados financeiros europeus.

A Bloomberg avançou ontem que a OPEP estaria a trabalhar na possibilidade do restabelecimento de quotas de produção e de um teto (como havia anteriormente, fixado em 30 milhões de barris diários), mas muitos analistas duvidam que Arábia Saudita e Irão se entendam hoje sobre uma tal medida.

Mario Draghi iniciará a conferência de imprensa tradicional após as reuniões do conselho pelas 13h30 (hora de Portugal) e o encontro com os jornalistas por parte dos responsáveis da OPEP está marcado para as 15 horas (hora de Portugal).