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“A atual política europeia está assente num conjunto de falsas ideias claras”

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Luís Máximo dos Santos, presidente da Comissão Liquidatária do BPP, com a longa lista de credores do banco

ALBERTO FRIAS

Luís Máximo dos Santos, o novo administrador do BdP, defende que é preciso continuar a trabalhar no papel comercial do BES “mau”, que o modelo de resolução sofre de “excesso de rigidez” e aponta uma semelhança entre o caso do BPP e o do BES: terem tido lideranças muito centralizadas

“A atual política europeia está assente num conjunto de falsas ideias claras. Vistas isoladamente parecem fazer sentido. No seu conjunto roçam o absurdo”, diz Luís Máximo dos Santos, o presidente do BES “mau” que está de saída para o Banco de Portugal (BdP).

Em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta quinta-feira, o novo administrador do BdP defende que é preciso continuar a trabalhar no papel comercial do BES “mau”, que o modelo de resolução sofre de “excesso de rigidez” e aponta uma semelhança entre o caso do BPP e do BES: terem tido lideranças muito centralizadas.

“A resolução deveria ser um dos instrumentos para lidar com crises bancárias, não o único”, defende Máximo dos Santos. E também é necessária mais coordenação por parte dos supervisores europeus, diz.

“Mais do que na resolução, temos um problema com a união bancária. Foi aceite acriticamente em Portugal e imposta quando vários Estados estavam sob resgate, com poder negocial enfraquecido. Faltou debate político e técnico. A APB deveria ter tido um papel. Precisamos de mais reflexão estratégica e menos "lobby" de ocasião”, afirmou o novo administrador do Banco de Portugal.

Para o presidente de saída do BES “mau”, é também "preciso continuar a trabalhar” no papel comercial. Este não é um caso perdido. “Trata-se de uma situação muito complexa, a diversos níveis. Precisamente por isso, em vez de enquistamentos desgastantes e ineficazes, deveria ter sido feito o que se está a fazer desde a assinatura do memorando de entendimento em 30 de março: pôr as diversas entidades a dialogar de forma a procurar uma solução razoável para minorar as perdas, respeitando os princípios da resolução”, disse, quando questionado sobre o que se devia ter feito de forma diferente no papel comercial do GES vendido aos balcões do BES.

Tanto o BES como BPP têm ponto em comum, diz Máximo dos Santos. O tipo de gestão centralizada. “Todas as lideranças de tipo carismático [como a de Ricardo Salgado] se confrontam, mais cedo ou mais tarde, com os seus resultados: quando corre bem (ou aparenta correr) surge o endeusamento; quando corre mal, a quase exclusiva responsabilização. (…) A lição a tirar é outra: nas modernas instituições, pela complexidade do que está em causa, a liderança tem de ser exercida de modo muito diferente”, justificou.

Máximo dos Santos disse ainda ao "Negócios" que nunca agiu como “justiceiro” no BPP ou no BES. “Nem procurei tirar dividendos circunstanciais dos problemas dos outros. E como era fácil fazê-lo. Procurei – isso sim – contribuir para que se fizesse justiça. De modo sereno, mas efetivo.”