Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Presidente da CP em reportagem para o Expresso. A inauguração do túnel dos Alpes, onde não faltou a bandeira portuguesa

  • 333

Na viagem inaugural dentro do maior túnel ferroviário do mundo, que cruza os Alpes na Suíça, o presidente da CP, Manuel Queiró, explicou tudo ao Expresso e enviou fotos tiradas do seu telemóvel

"Uma foto para o Expresso, tirada à entrada do túnel de Gotardo? Claro que sim, tiro-a já com o telemóvel e envio-a por SMS". Minutos depois, chegava a foto enviada do telemóvel do presidente da CP, Manuel Queiró – uma foto verdadeiramente histórica, tirada na viagem inaugural que se realizou esta quarta-feira, 1 de junho, da travessia de comboio pelo maior túnel ferroviário do mundo – que cruza os Alpes suíços, ligando a zona de Lugano, no sul, a Zurique, no norte. Na conclusão da obra, também ficou para a posteridade outra foto, com a equipa técnica que perfurou o túnel, onde figura a bandeira de Portugal.

Manuel Queiró explicou ao Expresso, "que esta inauguração concretizou um sonho projetado em 1947, pelo engenheiro Carl Eduard Gruner, para uma ligação, na altura com menos quilómetros, por túnel entre Amsteg e Bodio". "A grande vantagem", diz, "será notada na sustentabilidade ambiental do transporte de mercadorias, porque vão passar diariamente por este túnel 260 comboios de mercadorias, que circulam movidos a eletricidade, sem emissões de CO2".

Parado à entrada do túnel ferroviário de Gotardo na altura em que foi contactado pelo Expresso, o presidente da CP, Manuel Queiró, foi um dos vários gestores que integraram a comitiva de responsáveis das companhias do sector e de ministros de vários governos europeus para fazerem a viagem inaugural de comboio, cruzando os alpes suíços, a 2300 metros de profundidade, ao longo dos 57 quilómetros de túnel que ligam Lugano a Zurique.

O presidente da CP, Manuel Queiró, ficou na última fila ao lado do seu homólogo espanhol da RENFE

O presidente da CP, Manuel Queiró, ficou na última fila ao lado do seu homólogo espanhol da RENFE

Manuel Queiró explicou que além de participarem na viagem inaugural da primeira passagem do maior tunel ferroviário do mundo, a comitiva realizará uma reunião da CER - Community of European Railway and Infraestructure Companies, o organismo que representa as compnahias europeias de transporte ferroviário.

"Chegámos todos ontem a Lugano, para o grande evento ferroviário europeu, e mundial, que é esta viagem inaugural - um dos mais importantes marcos históricos no sector -, que vai criar um novo paradigma de sustentabilidade no transporte de mercadorias, pois cruza os alpes suíços sem emissões de CO2", explicou o presidente da CP.

"Viémos, até Lugano, quase todos os presidentes das companhias de comboios europeias, com as exceções dos ingleses, que privatizaram o sector em várias empresas, do presidente da empresa francesa de caminhos de ferro, que ficou retido em França por causa das greves locais e do presidente executivo da CER, o austríaco Christian Kern, que há cerca de uma semana passou a ser o chanceler do Governo da Aústria", referiu Manuel Queiró.

Esta inauguração ocorre 17 anos depois do arranque dos trabalhos de perfuração do túnel alpino e, para o próximo fim-de-semana, tem previstos 50 mil a 100 mil visitantes, que serão recebidos com festivais, nos dois lados de entrada no túnel de Gotardo, nas localidades de Rynächt, Erstfeld, Pollegio e Biasca.

O túnel inaugurado esta quarta-feira ocupou 2400 trabalhadores no pico da obra. "Na realidade, foram constrúidos dois túneis de 57 quilómetros de extensão", referiu Manuel Queiró, detalhando que "a máquina que perfurou o tunel ocupa uma área equivalente a quatro campos de futebol".

O sofisticado esquema de engenharia concebido para escavar o túnel envolveu soluções técnicas sofisticadas, desde os sistemas de segurança para evitarem desmoronamentos, até ao fornecimento da energia para acionar a máquina 'tuneladora', passando pela técnica de remoção dos 28,2 milhões de toneladas de rochedos escavados.

Foto tirada à entrada do túnel pelo telemóvel de Manuel Queiró

Foto tirada à entrada do túnel pelo telemóvel de Manuel Queiró

Uma das mais surpreendentes utilizações do rochedo escavado foi a produção de cimento destinado a ser utilizado posteriormente no interior do túnel. Outra utilização das rochas extraídas pela escavação permitiu criar três ilhas no lago Uri.

O túnel ferroviário suíço tem troços que ficam localizados a 2300 metros de profundidade em relação determinadas localidades dos Alpes suíços. Os trabalhos desta obra de engenharia envolveram um total de 43.800 horas ininterruptas de laboração, o que corresponde a mais de três anos de atividade, com 125 trabalhadores em permanência a trabalharem em três turnos diários, durante 24 horas por dia.

Também é impressionante todo o conjunto de ligações construídas nos dois túneis (de Gotardo e de Ceneri), que perfazem uma extensão total de tuneis escavados na rocha da ordem dos 152 quilómetros.

"A importância económica do transporte permitido por este túnel mede-se no total dos seus 325 comboios diários, que são repartidos por 260 comboios de mercadorias e 65 comboios de passageiros", refere Manuel Queiró.

Enquanto os comboios de mercadorias viajam à velocidade de 160 km/hora, a velocidade dos comboios de passageiros é da ordem dos 200 km/hora, embora os gestores desta infraestrutura suíça queiram elevar a velocidade dos comboios de passageiros até aos 250 km/hora a médio prazo.

Ou seja, os viajantes ferroviários entre Zurique e Lugano poderão poupar 45 minutos no trajeto, atendendo a que a uma velocidade de 250 km/hora a ligação Lugano Zurique será feita em cerca de 25 minutos. As telecomunicações no túnel são asseguradas por 280 unidades de amplificação do sinal wireless.