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Zona Euro com inflação negativa pelo segundo mês consecutivo

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DANIEL ROLAND/AFP/GETTY

A inflação anual em maio terá sido de -0,1%, uma melhoria em relação ao mês anterior quando caiu para -0,2%, segundo as estimativas preliminares do Eurostat publicadas esta terça-feira. BCE e OPEP realizam reuniões a 2 de junho em Viena

Jorge Nascimento Rodrigues

A inflação anual na zona euro continua em terreno negativo pelo segundo mês consecutivo. Segundo a estimativa preliminar do Eurostat para maio, o índice de preços no consumidor na área da moeda única registou, em termos homólogos (em relação ao mesmo mês do ano anterior), -0,1%, uma ligeira melhoria em relação a -0,2% no mês anterior.

Se o índice for calculado descontando as componentes de energia, alimentação álcool e tabaco, a variação foi positiva, registando 0,8% em termos homólogos, acima da variação de 0,7% no mês anterior. Este índice é designado por inflação subjacente.

A energia continua a ser a componente que mais influencia negativamente o comportamento do índice na zona euro. Recuou 8,1% em maio, ainda assim uma melhoria em relação à queda de 8,7% no mês anterior.

A inflação anual na zona euro está abaixo da meta de 2% desde fevereiro de 2013 e é inferior a 1% desde outubro daquele ano. O processo de desinflação - redução da taxa de inflação -, com alguns meses de inflação negativa (de dezembro de 2014 a março de 2015; em setembro de 2015; em fevereiro de 2016; e em abril e maio de 2016), dura há mais de três anos.

Esta terça-feira foram, também, divulgadas as estimativas preliminares para as taxas de inflação (harmonizada) para duas importantes economias da zona euro. A inflação anual em maio em França saiu de terreno negativo e registou uma variação nula (0%), segundo o INSEE. Em Itália, a inflação negativa melhorou ligeiramente, passando de -0,4% em abril para -0,3% em maio, segundo o Istat.

BCE e OPEP reúnem-se em Viena na quinta-feira

Esta estimativa do organismo de estatísticas da União Europeia, apontando para a manutenção de um quadro de deflação, é conhecida a apenas 48 horas de duas importantes reuniões em Viena de Áustria: a reunião do conselho do Banco Central Europeu (BCE), o banco central da zona euro que tem por meta uma inflação abaixo mas próxima de 2%, e o encontro dos membros do cartel petrolífero, a Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP), cuja estratégia definida pela Arábia Saudita tem determinado a volatilidade dos preços do barril de crude durante este ano.

A estimativa preliminar da inflação (negativa) em maio pelo Eurostat está em linha com as previsões dos analistas e o próprio presidente do banco central, Mario Draghi, já havia avisado que taxas negativas poderiam registar-se em mais meses este ano. O BCE reúne-se dia 2 de junho, num mês em que irá lançar no terreno mais duas medidas de estímulos monetários: uma segunda série da linha de financiamento para os bancos da zona euro, a quatro anos e condicionada, conhecida pelo acrónimo em inglês TLTRO (cujo primeiro leilão se realizará a 23 de junho), e um programa de compra nos mercados primário e secundário de dívida obrigacionista de empresas não financeiras.

Depois de quase 1 bilião de euros injetado em programas de aquisição de três tipos de ativos pelo BCE, a inflação homóloga na zona euro tem tido uma evolução muito irregular em 2016: 0,3% em janeiro; -0,2% em fevereiro; 0% em março; -0,2% em abril; e -01,% (estimativa) em maio.

Uma das componentes com influência mais importante na inflação na zona euro é marcada pela evolução do preço do petróleo. Depois de um mínimo no preço do barril de petróleo de Brent, a variedade europeia de referência internacional, registado em 20 de janeiro, quando o barril chegou a cair para 27,88 dólares (em valor de encerramento da sessão), a trajetória tem sido de subida, tendo fechado, pela primeira vez este ano, acima de 50 dólares a 30 de maio, esta segunda-feira. Desde o mínimo do ano, a subida foi de 80%. Desde o final de 2015, o aumento vai em 35%. A reunião da OPEP em Viena na quinta-feira assume, por isso, importância na avaliação da trajetória futura do preço do barril.