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Juros da dívida dos periféricos do euro desceram em maio

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No mercado secundário da dívida soberana a trajetória foi de redução dos juros das obrigações no mês que finda, mas o prémio de risco para Espanha, Itália e Portugal subiu. Juros das obrigações portuguesas a 10 anos mantêm-se no patamar dos 3%

Jorge Nascimento Rodrigues

Maio fica marcado por uma descida das yields da dívida obrigacionista a 10 anos dos países periféricos do euro no mercado secundário. No caso das Obrigações do Tesouro português (OT), a descida foi de 10 pontos base em relação ao final de abril, com as yields a fecharem esta terça-feira em 3,063%. O nível mantem-se no patamar dos 3% para a dívida portuguesa a 10 anos, ainda que se tenha registado um mínimo de 2,961% em 25 de maio. As yields das OT a 10 anos estiveram, nos últimos doze meses, em valores de fecho, abaixo de 3% entre 9 de julho de 2015 e 20 de janeiro de 2016, em algumas sessões no final de janeiro e no início de fevereiro, e entre 11 de março e 4 de abril deste ano.

As yields das obrigações naquele prazo de referência desceram em maio 11 pontos base no caso de Espanha, 13 pontos base no caso de Itália e 21 pontos base no caso de Irlanda. Descidas superiores à portuguesa.

A redução mais acentuada registou-se nas yields das obrigações gregas naquele prazo de referência que desceram mais de 1,6 pontos percentuais (164 pontos base; cada 100 pontos base equivalem a 1 ponto percentual), mantendo-se, no entanto, acima de 7%. A descida substancial no caso grego deveu-se ao acordo obtido na reunião do Eurogrupo (órgão dos 19 ministros das Finanças do euro) a 25 de maio que aponta para o fecho do primeiro exame ao terceiro resgate helénico e a um desembolso de uma segunda tranche, faseado, que, a concretizar-se, evitará que Atenas entre em incumprimentos nos pagamentos ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Central Europeu este verão. As yields das obrigações gregas naquele prazo chegaram a descer para menos de 7% em 25 de maio, mas a incerteza sobre se o governo de Alexis Tsipras conseguirá fazer aprovar no parlamento as “correções” à legislação recente, exigidas pelo Eurogrupo para desbloquear o desembolso, permaneceu até final do mês.

Apesar das descidas de yields, o prémio de risco subiu em maio para Espanha, Itália e Portugal, quatro, um e três pontos base respetivamente. A descida das yields das obrigações alemãs a 10 anos, que servem de referência para o cálculo do prémio de risco, foi superior à verificada para as yields das obrigações espanholas, italianas e portuguesas. O prémio de risco da dívida portuguesa está em 292 pontos base, mais do dobro do prémio para as dívidas espanhola e italiana. E é quase cinco vezes mais elevado do que o irlandês. As diferenças na situação destes quatro periféricos continuam acentuadas.

Rentabilidade da dívida portuguesa permanece no vermelho

A rentabilidade da dívida obrigacionista portuguesa (em todos os prazos) nos últimos doze meses melhorou em maio, ainda que permaneça em terreno negativo, sendo a única nesta situação entre os periféricos do euro, segundo dados dos índices da Bloomberg para a dívida soberana. O retorno anual das OT passou de -4,13% no final de abril para -0,34% agora no final de maio.

O retorno médio anual de toda a dívida obrigacionista da zona euro é de 3,67%. A Alemanha e a Holanda registam um retorno anual de 3%. O retorno anual mais elevado verifica-se para a dívida grega, que inclusive subiu de 23,51% em abril para 41,07% em maio. O retorno anual para as dívidas espanhola, irlandesa e italiana também melhorou em maio, e é de 4,28%, 3,28% e 5,01% respetivamente.

Nos periféricos do euro, o custo mais elevado de financiamento da dívida obrigacionista verifica-se para a Grécia, com uma yield até à maturidade de 7,32%, seguindo-se o custo para a dívida portuguesa que se situa em 2,13%. O custo de financiamento da dívida espanhola e da italiana é ligeiramente inferior a 1% e para a Irlanda é, apenas, de 0,28%. A Alemanha financia-se, em termos de obrigações, a uma taxa negativa média de 0,08% e a Holanda a uma taxa média próxima de zero, de 0,05%. A taxa média para toda a dívida obrigacionista da zona euro é ligeiramente inferior a meio por cento.