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Financial Times ataca FMI

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Um artigo publicado na revista trimestral do FMI criticando duas receitas neoliberais provocou uma resposta dura do jornal britânico que o considerou um “insulto à inteligência” e uma tentativa da organização de Christine Lagarde de “estar na moda”

O Financial Times (FT) em editorial publicou uma dura crítica a um artigo de três economistas do Departamento de Investigação do Fundo Monetário Internacional (FMI) que colocavam em causa duas das principais políticas do que designaram como agenda neoliberal. O artigo intitulado “"Neoliberalism: Oversold?” foi publicado na sexta-feira passada na revista trimestral do Fundo, Finance & Development, na edição de junho de 2016, e já referido pelo Expresso.

“O maior insulto de todos é à nossa inteligência, vendo como prestigiadas instituições internacionais se juntam a essa crítica barulhenta [ao neoliberalismo]. Este triste espetáculo vitimou o FMI com a publicação, na semana passada, na sua proeminente revista de um artigo no qual questiona as suas próprias decisões neoliberais”, diz o jornal britânico em editorial (FT View) de segunda-feira, intitulado “Um mea-culpa deslocado em relação ao neoliberalismo”.

O jornal britânico não poupa na classificação do artigo como “retórica pueril” e de ser “um golpe de relações públicas na nova rotulagem de políticas existentes”. Acusa, ironicamente, de, “na tentativa de estar na moda, o FMI, pelo contrário, parecer tão fora de moda como um homem de meia-idade vestindo um boné de baseball virado para trás”. Sem ironia, e com dureza, diz que o ataque do artigo ao neoliberalismo “vem em socorro de regimes opressores em todo o mundo que também se posicionam como cruzados contra o neoliberalismo, subjugam as suas populações com uma política económica ineficiente e de extrema desigualdade usando todo o poder do Estado”.

O FT critica os economistas do FMI de isolarem duas das políticas da referida agenda neoliberal – a liberalização dos movimentos de capitais sem restrições e a consolidação orçamental excessiva -, para apagar o que o jornal britânico refere como “uma vasta gama de boas práticas estabelecidas” e de não abordarem “a mais importante questão económica global, o declínio persistente no crescimento da produtividade”.

  • Especialistas do FMI criticam agenda neoliberal

    Três altos quadros do Fundo verificaram que duas das principais receitas neoliberais aumentaram o risco de crises financeiras e a desigualdade gerando um ciclo negativo que prejudicou significativamente o nível e a duração do crescimento económico. O artigo saiu na edição de junho de uma revista trimestral do FMI já disponível online