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Portugueses de regresso a Troia

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O Troia Resort estende-se por 500 hectares e, além da parte residencial, tem também casino, marina e campo de golfe

Desde o início do ano, já foram vendidas mais unidades do Troia Resort a clientes nacionais do que em 2015

Marisa Antunes

Jornalista

De forma ainda lenta mas a um ritmo crescente, os portugueses voltam “às compras” no mercado imobiliário, mesmo o de segunda habitação. No Troia Resort, empreendimento da Sonae Capital, os portugueses representavam 80% dos compradores no ano de pré-inauguração (2007) do resort, caíram a pique nos anos de crise (2013 a 2015) para cerca de 20% (cerca de 8 unidades das 40 vendidas em cada ano) e agora, nos primeiros cinco meses de 2016, voltam a dar sinais de recuperação.

“O mercado nacional está em retoma. Notamos isso no número de visitas e nas vendas feitas este ano, já muito próximo do número de unidades vendidas aos portugueses em todo o ano passado. Acreditamos que irão representar um terço das nossas vendas no final deste ano”, diz João Madeira, diretor-geral do Troia Resort, que selou, na semana passada, uma parceria em exclusivo com a JLL/Cobertura para a venda das 120 unidades ainda disponíveis (60 apartamentos e 60 moradias) do empreendimento localizado na Península de Troia.

Pagamento a pronto

Feitas as contas, desde 2007 até março de 2016, a Sonae Turismo vendeu exatamente 357 casas, “com valores anuais a variar entre as 35 e as 40 unidades”.

Anos de comercialização como o primeiro, 2007, que antecedeu à inauguração em 2008, nunca mais se voltaram a repetir: “Nessa altura vendemos 90 casas, cerca de 80% para compradores nacionais e 20% para estrangeiros, entre britânicos, alemães e espanhóis”.

Em Troia, nos últimos três anos, a recessão afugentou os europeus e atraiu essencialmente cidadãos do Extremo Oriente e do Médio Oriente, estimulados pelas benesses conferidas pelos vistos gold. Um filão que continua a consolidar-se, diz João Madeira. No bolo total das 120 unidades vendidas entre 2013 e 2015, os estrangeiros absorveram 80% das vendas, com os investidores asiáticos a representarem 40% desse subtotal. Mas nos registos do Troia Resort constam compradores de 24 nacionalidades nesse período. Ainda assim, “somos o resort mais português de Portugal, com 51% de clientes portugueses”, garante o responsável.

Quem aqui compra, procura não só lazer mas os 5% de rentabilidade que a Sonae atribui a quem entrega a casa para a gestão turística. A instabilidade instalada no sector bancário tem criado oportunidades para o sector imobiliário, atraindo quem tem poupanças e busca um porto seguro para as aplicar. E o histórico do Troia Resort mostra mesmo que são poucos os nacionais a recorrer ao crédito para comprar casa. A maioria paga a pronto. “A taxa de incumprimento bancário é residual. Em mais de 350 unidades vendidas, nem 10 tiveram problemas”.

Com uma área total de 486 hectares, num enquadramento que acolhe a Reserva Natural do Estuário do Sado e o Parque Natural da Arrábida e equipamentos como um campo de golfe, casino e marina, o empreendimento conquistou recentemente dois ‘feitos’, que se espera venham a reforçar a capacidade de atração turística: a integração na European Tour Properties, rede mundial de destinos de golfe (que em Portugal tem apenas mais dois membros — Quinta do Lago e Bom Sucesso) e a inclusão das Ruínas Romanas de Troia (maior complexo de produção de salgas de peixe conhecido no mundo romano, com 2000 anos de história) na lista indicativa a Património Mundial da UNESCO.

Balanço

120 casas disponíveis para venda, metade apartamentos, a outra metade moradias

2,25 milhões de euros é o valor das moradias mais caras à venda (restam apenas duas para venda). Os preços dos apartamentos começam nos 299 mil euros

357 unidades vendidas desde o início da comercialização, em 2007

24 nacionalidades entre os compradores do Troia Resort

[Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 28 maio 2016]