Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Zeinal equacionou ser consultor de acionistas da Oi quando ainda estava na PT

Acionistas da Oi tentaram contratar Zeinal Bava como consultor para cobrir remuneração que perderia por recusar convite da TIM Brasil

Nuno Botelho

Deloitte defendeu que o gestor poderia ocultar contratação ao mercado

Em junho de 2012 os laços entre os acionistas da Portugal Telecom (PT) e da brasileira Oi eram fortes e a fusão entre as duas operadoras já estava ser cozinhada. Zeinal Bava, então presidente executivo da PT, era uma peça-chave no processo de fusão, desejado pelos acionistas e outrora incentivado pelo poder político dos dois lados do oceano Atlântico. Soube-se então que nessa altura o líder da PT estava a ser namorado pela TIM Brasil, rival da Oi e candidata a um eventual processo de concentração do sector no mercado brasileiro.

A informação sai na imprensa brasileira a 15 de junho de 2012, na famosa coluna Radar, da revista “Veja”. “Zeinal Bava, presidente da PT Portugal, é um dos candidatos a comandar a TIM Brasil. Já foi inclusive entrevistado pelos italianos”. Curiosamente, nesse fim de semana, Otávio Azevedo, o administrador da Oi na PT, em representação da Andrade Gutierrez, casava a filha, e o quartel-general da Portugal Telecom, incluindo Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, estava no Brasil. Tinham sido todos convidados para a cerimónia. Entre os convidados estava também José Maria Ricciardi, então presidente do BES Investimento (BESI), um dos bancos que estavam a assessorar a fusão PT-Oi.

Brasileiros pedem ajuda a Salgado

A última coisa que os acionistas de controlo da Oi (detentora de 10% da PT) queriam era perder Bava para a concorrência — chegaram a chamar-lhe o ‘Messi das Telecomunicações’. Por isso, mexeram os cordelinhos. Vieram poucos dias depois a Lisboa falar com Ricardo Salgado, presidente do BES, para que os ajudasse a impedir Zeinal Bava de ir para a TIM. Otávio Azevedo, pivô na relação PT/Oi e hoje detido por causa do envolvimento da Andrade Gutierrez na operação Lava Jato, foi um dos elementos mais ativos na tentativa de travar o alegado convite da TIM a Zeinal. Salgado também não queria ficar sem o gestor, um especialista em mercado de capitais e elemento essencial para que a fusão, anunciada mais tarde, em outubro de 2013, avançasse.

Leia mais na edição deste fim de semana