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Ponte aérea da TAP ultrapassa os 100 mil passageiros em dois meses

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TAP Media Center

Com mais do dobro das frequências semanais, a ligação Lisboa-Porto operada pela companhia aérea cresceu 82% face ao mesmo período do ano passado

Operada pela TAP Express (ex-PGA), a chamada ponte aérea, lançada a 27 de março, funciona com partidas de hora a hora e dois balcões de check-in exclusivos. "O importante é chegar ao aeroporto sabendo que muito em breve está a sair outro avião. A ideia é entrar em concorrência efetiva com o comboio", afirmou Fernando Pinto, presidente-executivo da companhia há dois meses.

Desde 27 de março até ao início desta semana, de acordo com dados cedidos ao Expresso pela companhia, a TAP já transportou 101.211 passageiros entre Lisboa e o Porto, o que representa um aumento de 82% face aos 55.725 transportados no mesmo período do ano anterior.

A taxa de ocupação média ronda os 65%, o que a TAP considera "bom para pouco mais de um mês de serviço". O objetivo da companhia é crescer sobretudo no chamado ponto a ponto, ou seja nos voos puros entre as duas cidades. Assim, com a ponte aérea, "o transporte de avião já concorre com outros modos de transporte tanto em preço como em duração total da viagem".

Com uma oferta de 36 voos diários (18 em cada sentido), o que perfaz um total de 252 ligações semanais (114 anteriormente), a operação é feita por quatro aviões ATR72 (com 70 lugares cada) – um dos quais de backup – e, nos horários com maior procura, Airbus da família A320. Os períodos mais procurados, adianta a companhia, acontecem entre as 7h e as 10h e entre as 17h e as 22h30 (Lisboa/Porto) e entre as 6h30 e as 10h30 e entre as 16h30 e as 19h30h (Porto/Lisboa).

Além do preço, que varia entre 39 e 99 euros por percurso, outro "fator determinante para a crescente procura é a flexibilidade que permite não penalizar o passageiro se este se atrasar ou se chegar mais cedo ao aeroporto", afirma ao Expresso fonte oficial da companhia.

"Criou-se um percurso próprio nos aeroportos para facilitar o embarque e desembarque proporcionando ganhos de tempo, indispensáveis numa rota de curta duração", explica a mesma fonte. "A melhoria é especialmente visível em Lisboa, aeroporto mais difícil para transitar, em que o check-in é feito à entrada das partidas, junto à zona premium, com acesso na mesma zona a um controlo próprio de raio X, muito próximo das portas de embarque", acrescenta.

Embora as reservas para esta rota sejam feitas "muito em cima do dia, a quantidade existente até ao fim do ano é muito significativa, situando-se em crescimentos já adquiridos que variam ao longo dos meses entre 28 e 65%", revela.

Recorde-se que este reforço da operação entre Lisboa e o Porto coincidiu com o fim de quatro rotas para destinos europeus, consideradas deficitárias pela companhia: Barcelona, Bruxelas, Milão e Roma a partir do Porto. Em Lisboa, também cancelou "rotas deficitárias": Zagreb, Budapeste, Gotemburgo, Hanôver e Bucareste.

O fim das rotas a partir do Porto levou o presidente da Câmara do Porto Rui Moreira a criticar a estratégia da TAP e a admitir "apelar ao boicote da região" à transportadora, acusando-a de ter em curso uma estratégia para "destruir o aeroporto Francisco Sá Carneiro", no Porto, e construir, em Lisboa, "um novo aeroporto e uma nova ponte".

Entre outubro de 2014 e outubro de 2015, conforme noticiou o Expresso em fevereiro, a TAP perdeu mais de oito milhões de euros com as rotas no Porto entretanto suspensas.

Apesar do crescimento registado na ponte aérea, nos primeiros quatro meses deste ano, a TAP registou uma queda de passageiros no Porto de 6,6% (menos 33,4 mil), para 472.726, reduzindo a sua quota de mercado em 4,3 pontos percentuais, para 18,7%, de acordo com dados do Aeroporto Francisco Sá Carneiro citados pelo PressTUR. Os mesmos dados mostram que dois em cada três passageiros que viajaram de/para o Porto utilizaram companhia low cost, que ganharam 4,2 pontos de mercado às portuguesas TAP e SATA, ficando abaixo dos 20%.