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Novo Banco com prejuízos de 249,4 milhões nos primeiros três meses do ano

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nuno botelho

O resultado operacional para o primeiro trimestre do Novo Banco foi de 78,9 milhões de euros, um aumento de 152,1% face ao mesmo período em 2015

Entre janeiro e março de 2016, o Novo Banco teve prejuízos de 249,4 milhões de euros, de acordo com um comunicado do banco enviado esta sexta-feira à CMVM. No período homólogo em 2015, o valor foi de 117,8 milhões de euros.

Segundo o documento, a provisão para custos de reestruturação e contribuição sobre o sector bancário pesaram negativamente. "Sem estes efeitos o resultado do trimestre seria negativo em 140,1 milhões de euros", lê-se.

Em termos de resultados, o Novo Banco destaca um resultado operacional positivo em 78,9 milhões de euros (mais 152,1% em relação à media trimestral de 2015), “o qual representa 63% do valor alcançado em todo o exercício de 2015, demonstrativo da capacidade de recuperação da atividade do Grupo Novo Banco”.

Inversamente, os custos operativos, no montante de 155,2 milhões de euros, “evidenciam uma forte diminuição de 17,8% face à média trimestral de 2015, refletindo o esforço de redução de custos empreendido pelo Grupo através, nomeadamente, da simplificação e melhoria de processos e da otimização da estrutura operativa e comercial”.

O comunicado do Novo Banco, que é o terceiro maior banco em ativos a operar em Portugal, refere um ativo de cerca de 56 mil milhões de euros no final do primeiro trimestre de 2016, o qual apresenta uma redução de 1,6 mil milhões de euros (2,7%) face a dezembro de 2015, “em linha com a prossecução do processo de desalavancagem do balanço”.

No primeiro trimestre de 2016, o crédito a clientes registou uma redução de 2,2 mil milhões de euros “sem impactar, em particular o apoio às pequenas e médias empresas exportadoras” enquanto a produção de crédito a particulares registou um crescimento de 36% face à média mensal de produção de 2015. No crédito à habitação, a produção média mensal cresceu 53%.

Menos depósitos de grandes clientes

O comunicado também destaca que os depósitos de clientes particulares continuaram a aumentar (mais 44 milhões de euros), “sinal do reforço da confiança no Grupo, não obstante a descida para níveis historicamente baixos das poupanças das famílias, mantendo-se no nível mais elevado desde a criação do Novo Banco (18,1 mil milhões)”.

Contudo, na sua globalidade os depósitos de clientes reduziram-se 2,2 mil milhões de euros (-8,1%), “reflexo da diminuição dos depósitos de grandes empresas e institucionais influenciada pela política de redução de preço que tornou a oferta neste segmento menos competitiva e pelas repercussões da retransmissão de cinco emissões seniores para o perímetro do BES. Na sequência desta decisão as agências de rating Moody’s e DBRS decidiram, nos primeiros dias de janeiro de 2016, efetuar o downgrade dos ratings de depósitos de longo prazo do Novo Banco o que causou uma redução dos depósitos de alguns grandes clientes institucionais e empresariais”.

Crédito em risco é de 23%

Em termos de qualidade dos ativos, o comunicado do Novo Banco refere que o rácio de crédito vencido há mais de 90 dias foi de 15,1% do crédito total, com o respetivo rácio de cobertura por provisões a situar-se em 110,8%. A cobertura do crédito a clientes por provisões era de 16,7%. O crédito em risco representava 23,0% do total da carteira de crédito e a cobertura aumentou para 72,6%.