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Banco central norte-americano poderá aumentar juros em julho

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A presidente da Fed falou esta sexta-feira de poder ser "apropriada” uma nova subida das taxas de juro “nos próximos meses”. No mercado de futuros, a probabilidade de uma tal decisão na reunião de 27 de julho disparou para 61%

Jorge Nascimento Rodrigues

“É apropriado para a Fed aumentar gradual e cautelosamente ao longo do tempo a nossa taxa de juro básica. Nos próximos meses tal movimento poderia ser apropriado”, disse esta sexta-feira a presidente da Reserva Federal (Fed), o banco central norte-americano. Janet Yellen falava esta sexta-feira, já depois do fecho dos mercados financeiros na Europa, no Radcliffe Institute for Advanced Study no campus da Universidade de Harvard, em Cambridge, nos Estados Unidos. A intervenção era muito aguardada pelos analistas.

A declaração de que poderia ser “apropriada” uma subida das taxas de juro do banco central nos “próximos meses” provocou, de imediato, a especulação de que tal decisão possa ser tomada na reunião de 27 de julho. Esta declaração da presidente da Fed, ainda que imprecisa, vem na sequência de intervenções de outros dois presidentes de bancos “regionais” do sistema da Fed, em Boston e São Francisco, de que os mercados financeiros deveriam tomar em consideração mais seriamente a possibilidade de uma nova subida das taxas de juro nos próximos dois meses – junho e julho. As reuniões da Fed realizar-se-ão a 15 de junho e 27 de julho.

No mercado de futuros das taxas de juro da Fed, estas últimas declarações de responsáveis do sistema da Fed e a intervenção desta sexta-feira de Yellen fizeram disparar as probabilidades de subida nas duas próximas reuniões de 4% para 28% quanto à reunião de 15 de junho e de 20% para 61% em relação à de 27 de julho, se compararmos as probabilidades a 13 e 27 de maio, segundo o Countdown to FOMC do CME Group. Se a 13 de maio, uma probabilidade superior a 50% só surgia para a reunião de 21 de dezembro, agora a reunião de 27 de julho recolhe mais de 60% e as seguintes registam probabilidades ainda maiores, de 68% para 21 de setembro, 70% para 2 de novembro e 80% para 21 de dezembro.

As probabilidades no mercado dos futuros apontam ainda para uma probabilidade de 48% em que o aumento a decidir a 27 de julho seja de 0,75% no intervalo das taxas diretoras de referência. Em abril, essa probabilidade era de apenas 25,4%. A Fed decidiu subir as taxas de juro para o intervalo entre 0,25% e 0,50% a 16 de dezembro do ano passado, depois de um período longo de sete anos em que o intervalo se manteve entre 0% e 0,25%, um mínimo histórico decidido a 16 de dezembro de 2008.

Uma decisão da Fed a 27 de julho ocorrerá dias depois da convenção nacional do Partido Republicano entre 18 e 21 de julho e da provável nomeação de Donald Trump como candidato republicano às presidenciais de ´8 de novembro.

Uma decisão já em junho surgirira num mês carregado com vários momentos críticos na Europa com possíveis impactos nos mercados financeiros, conjugando um pagamento ao Fundo Monetário Internacional por parte da Grécia no dia 7, com a divulgação da decisão do Tribunal Federal alemão sobre a queixa contra o programa OMT do Banco Central Europeu no dia 21, logo seguida do referendo no Reino Unido sobre a manutenção ou saída (Brexit) da União Europeia a 23,e, finalmente, a 26, as eleições legislativas em Espanha.

Janet Yellen repetiu, no entanto o que tem dito; que a Fed deverá ser cautelosa neste processo de subida das taxas de juro. “Se aumentarmos as taxas de juros muito rapidamente e desencadearmos uma recessão teremos uma margem de manobra limitada para responder. Devemos ser cautelosos sobre o aumento das taxas de um modo demasiado íngreme”, referiu.

Sobre o tema muito em voga das taxas de juro negativas – nomeadamente na remuneração de depósitos dos bancos nos cofres do banco central, em vigor por exemplo na zona euro e no Japão -, a responsável pela Fed sublinhou que a sua equipa “considerou [o assunto] de um modo breve”, e concluiu que “poderia haver uma série de repercussões negativas”, e, por isso, é tema a que não deram seguimento e em que não estão a pensar agora. Mas rematou: “Outros países estão a aplicá-las. Portanto, temos de ser cautelosos”.