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Supervisor recomenda aos bancos uma reavaliação do seu modelo de negócio

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Marcos Borga

Banco de Portugal defende que o esforço de ajustamento que as instituições financeiras têm feito, com a redução da sua rede de agências e de pessoal, "deverá ser prosseguido" para obter eficiência operacional

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

No sector financeiro "a resposta às dificuldades na geração de resultados deverá passar por uma reavaliação dos modelos de negócio e da estrutura de custos que não ponha em causa a adequação do controlo dos riscos e da governação". Esta é uma das recomendações feitas pelo Banco de Portugal esta quarta-feira, na apresentação do seu mais recente Relatório de Estabilidade Financeira.

No documento a entidade liderada por Carlos Costa reconhece que os bancos já fizeram uma reorganização, mas defende que esse esforço prossiga. "Embora o setor bancário português tenha diminuído a rede de balcões, reduzido outros custos operacionais e administrativos e vendido ativos não estratégicos, o ajustamento deverá ser prosseguido", aponta o Banco de Portugal.

"A procura de maior eficiência operacional não deve, contudo, pôr em causa os investimentos necessários para manter níveis adequados de controlo dos riscos e de governação, evitando, assim, o aumento de riscos e perdas operacionais no futuro", ressalva, todavia, o Banco de Portugal.

Segundo a mesma entidade, "a reformulação dos modelos de negócio deve também ter em conta os desafios associados à evolução demográfica, bem como as oportunidades e os desafios da banca digital".

Juros baixos: bons no curto prazo, um risco para o futuro

No seu comunicado sobre o relatório agora publicado o Banco de Portugal deixa também um alerta sobre a conjuntura de baixas taxas de juro que a Europa tem tido, e que também é sentida pelas famílias portuguesas, quando vêem a prestação do crédito à habitação cair ou a remuneração dos depósitos a prazo em níveis próximos do zero.

O supervisor do sistema bancário nota que apesar de as baixas taxas de juro poderem ter efeitos positivos no imediato, elas poderão acarretar o risco de que o novo financiamento acabe por privilegiar investimentos arriscados.

"No curto prazo, o ambiente de baixas taxas de juro pode ser favorável para a economia portuguesa, dado o elevado endividamento dos setores residentes. No entanto, penaliza a rendibilidade do sistema financeiro e, na medida em que pode constituir um incentivo ao investimento em setores com maior risco e a uma inadequada valorização dos ativos, pode condicionar o ajustamento da estrutura produtiva interna", alerta o Banco de Portugal.

Segundo a instituição liderada por Carlos Costa, num quadro de baixa rendibilidade, reduzidas taxas de juro e elevados níveis de crédito em risco, "é crucial que sejam reforçados os incentivos para a redução do stock de crédito em risco e de outros ativos não geradores de rendimento no balanço dos bancos e que o risco de crédito continue a ser adequadamente avaliado e incorporado nas taxas de juro praticadas por estas instituições".