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Banco de Portugal aconselha bancos a comprarem menos dívida pública

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“O aumento da exposição dos bancos a títulos de dívida soberana durante a crise económica e financeira ainda não foi materialmente revertido”, refere um relatório divulgado esta quarta-feira

O Banco de Portugal (BdP) aconselhou esta quarta-feira as instituições financeiras a comprarem menos dívida pública para fazer face às novas regras, numa altura em que os rácios de capital dos bancos portugueses continuam a ser dos mais baixos da Europa.

No Relatório de Estabilidade Financeira , o BdP salienta que “o aumento da exposição dos bancos a títulos de dívida soberana durante a crise económica e financeira ainda não foi materialmente revertido”.

Numa altura em que se perspetivam alterações regulamentares “mais exigentes no tratamento prudencial do soberano”, o banco central considera que esta exposição “constitui uma preocupação acrescida”.

Isto também porque “as exigências regulamentares de solvabilidade são crescentes e os rácios de capital dos bancos portugueses continuam a ser dos mais reduzidos da Europa”.

Nesse sentido, o BdP destaca que “o novo quadro regulamentar, tendo como objetivo a estabilidade financeira, não deixa de levantar desafios para o sistema bancário europeu na atual conjuntura”.

Assim, o Banco de Portugal considera que “as instituições financeiras deverão realizar uma diversificação prudente da carteira de títulos de dívida, para mitigar os riscos associados ao aumento dos prémios de risco e fazer face às alterações regulamentares”.

E defende: “É fundamental que a revisão do tratamento prudencial da dívida soberana - em discussão nas instâncias internacionais - seja prudente e faseada, garantindo uma convergência consistente e gradual para o novo enquadramento”.

No Relatório de Estabilidade, o banco central conclui que houve uma intensificação para a materialização dos riscos à estabilidade financeira, destacando, entre eles, o “aumento da volatilidade dos mercados”, relacionada também com a “deterioração do sentimento dos mercados relativamente aos bancos europeus, num contexto de transição para um enquadramento regulamentar mais exigente”.

No caso português, escreve a instituição, “essa deterioração é acentuada pelas vulnerabilidades das instituições de crédito nacionais, designadamente quanto à baixa rendibilidade, à qualidade dos ativos em balanço e aos rácios de capital”.